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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes

Soeiro Pereira Gomes nasceu no dia 14 de abril de 1909 e morreu no dia 05 de dezembro de 1949.
Ao longo da sua vida, não chegou a publicar muitos livros, mas nem por isso deixou de ganhar um lugar de grande relevo na literatura portuguesa do século XX.
Pertenceu a uma corrente de escritores neo-realistas, isto é, autores que – numa espécie de regresso ao realismo literário do século XIX –  pretendiam inscrever, na sua arte, marcas da vida real que permitissem aos leitores uma mais imediata e franca identificação com temas, acontecimentos e personagens.
O romance Esteiros conta a história de um rapaz (o “Gaitinhas”), que, apesar de excelente aluno, é obrigado a desistir da escola por ser pobre. O pai é emigrante, no estrangeiro; a mãe é tuberculosa – e Gaitinhas não tem outro remédio senão ir trabalhar.
Apesar das dificuldades económicas e dos múltiplos motivos para a tristeza e até o desespero, o rapaz tem também espaço para se divertir com os amigos, frequentando festas populares, indo ao cinema, tocando alegremente a sua “gaita de beiços”.
Toda a história é uma espécie de grito contra as injustiças de uma sociedade desigual e aviltante, que condenava os pobres a um destino de escravidão e indignidade.
O trabalho infantil e juvenil, hoje felizmente ilegal e de modo geral combatido pelos países desenvolvidos, é um dos temas fundamentais do livro. Não por acaso, o autor dedica a sua obra “A todos os homens que nunca foram meninos”.
Li o romance aí pelos meus doze anos e já o reli muitas vezes.
Recomendo-o agora a todos os meus amigos (alunos e colegas, sobretudo). É que deixar por ler um grande livro é condenarmo-nos à mais triste das ignorâncias - a ignorância voluntária.

Arco de Baúlhe, 26 de outubro de 2012.
Joaquim Jorge Carvalho
[Texto expressamente elaborado para a Biblioteca da minha escola, no sentido de contribuir para a divulgação de obras literárias que, no entender dos professores/educadores, vale muito a pena ler.]

3 comentários:

Ana Marques disse...

olá professor! lembro-me de ler esse livro, foi você que me emprestou :) história linda! desse livro sempre guardei uma frase, era mais ou menos assim: "mais vale escravo que vadio, porque o vadio perde-se mas o escravo liberta-se."
Cumprimentos :)

Joaquim Jorge Carvalho disse...

Querida Amiga,

obrigado por te lembrares do livro, da frase e do "carteiro" literário que te sugeriu a leitura.

Beijinho!

JJC

Miguel Godinho disse...

Muito obrigado. É o que eu tenho a dizer.