sábado, 14 de janeiro de 2023
Mãe & Amigos
Maria Delfina da Silva Mateus (1940-2023)
O seu corpo será velado, mais logo, na Igreja de S. José, e o seu funeral realizar-se-á amanhã, dia 13-01-2023, pelas 14 horas, rumo ao Cemitério da Conchada.
Ao longo da sua vida, a nossa santíssima Mãe semeou Amor pelo mundo e foi, em todas as circunstâncias, inclusive nos últimos anos de doença, uma verdadeira guerreira, motivo de inspiração para todos nós.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
Trevas
Bélicas botas calcam, diligentes,
As frágeis flores da terra indefesa;
E, em vez da Manhã, vem a Tristeza.
[A imagem foi colhida, com devida vénia, em pt.dreamstime.com.]
sábado, 31 de dezembro de 2022
Sobre a deslealdade
Os porcos da nossa vida
(E os mais novos, os leitões)
Sujam tudo em sua lida –
Até sonhos, ilusões!
Não vale a filosofia
Para os fazer mudar:
Nasceram na porcaria,
Só vivem para sujar!
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, porcos-no-chiqueiro-de-uma-fazenda_freepick.com. ]
2023: Carpe diem
2023, convenhamos, é apenas um número mais, espécie de sinal ao fundo da curva para a nossa viagem de existir. Um pouco como os séculos, as datas de nascimento, os anos da idade que vamos tendo, as folhas amarelas anunciando o Outono, as folhas verdes recuperando a Primavera. Sinais, sinais, sinais, sinais, sinais.
Mas precisamos destas evidências para balizar as nossas vidas, equacionar passado-presente-futuro. Com a maturidade, estes marcos assumem maior peso (físico e simbólico) e certa pergunta simples que nos fazemos, tantas vezes, passa a questão determinante: “Quanto tempo temos ainda?”
segunda-feira, 26 de dezembro de 2022
Natal visto de fora
Pastelaria em Coimbra, fim da tarde do dia 24 de Dezembro: mesas cheias de gente e uma fila de clientes à espera de vez para pão, bolo-rei, broinhas, etc. Há duas empregadas ao balcão, ambas de olhar mortiço, muito cansadas, apesar de uma delas manter uma agilidade e uma velocidade admiráveis. O dono do estabelecimento, com amabilidade profissional, anda pela saleta a anotar pedidos num bloco-notas de capa preta.
Chega a minha vez, Calhou-me a empregada rápida. De perto, noto-lhe algum brilho suado sob os olhos e quase sinto o seu bafo quente ao respirar. Penso: “Coitada. Deve estar aqui desde manhã cedo, sempre a bulir.” Peço pão (para a consoada iminente e também para o dia seguinte). Escolho “pão da avó”, apontando com o indicador da mão direita.
De forma automática, ela roda sobre si para pegar num saco
de papel, exactamente no segundo em que o patrão coloca um copo de vidro, cheio
de água, sobre o balcão. O cotovelo da moça derruba o copo, que se desfaz em
pedacinhos de vidro e água correndo-escorrendo sob os pés dos clientes.
- Não se preocupe – diz, em tom neutro, o proprietário da pastelaria.
Eu, com vontade de animar a moça, em cujo rosto redobradamente percebo uma espécie de exaustão triste, atiro:
- Ai, ai! Sete anos de azar!
Ela sorri, talvez grata, antes de me responder, num murmúrio rouco e (não sei
se exagero) desesperado:
- Deixe lá. Mais sete menos sete…
Coimbra 24-12-2022.
Joaquim Jorge Carvalho
domingo, 25 de dezembro de 2022
Teoria & prática
O mal paga-se com o mal?
O bem paga-se com o bem?
A bondade é natural
E a maldade, também?
“Só ao amor com amor
pagarás”?
Ah, bondade pífia e com
defeito,
Pois santo é só quem amor
for capaz
De dar sem condições ou preconceito.
(E quem me dera ser
aquilo que canto -
- Ser mais do que esta
simples teoria -
Quem me dera ser um
quase-santo
Em vez de quase-nada em
poesia!)
Coimbra,
25-12-2022.
Joaquim
Jorge Carvalho
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
Só
Da janela vejo um cão cinzento
Ladrando zangado à beira da estrada
Há à volta ninguém e esquecimento –
Só aquele cão ladrando a nada.
Ribeira de Pena, 19-10-2022.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em
www.dogsplanet.com.]
quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
Saudade de um amigo ao telefone
Ao meu amigo Conceição, com quem todas as semanas falava
ao telefone
(sobretudo do Sporting) e que nos faz falta todos os
dias.
Telefona-se a um amigo
Porque sim
(Pelo menos comigo,
É assim).
O meu amigo morreu –
E agora a quem
Telefono eu?
A ninguém!
Ribeira de Pena, 20-12-2022-
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida
vénia, em www.tryg.aalborg.dk.]
Imperativo (muito) presente
Guarda os teus abrigos
Rega as tuas flores
Estima os teus amigos
Salva os teus amores.
Ribeira de Pena, 20-12-2022.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida
vénia, em www.alamy.de.]
domingo, 18 de dezembro de 2022
Still time
Folhas caídas na terra
São já sinais do Inverno;
Geme ao longe a Primavera
Por nada nos ser eterno.
Dói ver as folhas no chão
Caídas ao abandono –
Mas não chores, coração:
‘Inda temos o Outono!
Jogging
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
Elogio dos dias a-normais
Abençoados amantes
Que como abelha ou flor
Polenizam seus instantes
Por amor!
Coimbra, 12 de Dezembro de 2022.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em janainass.blogspot.com.]
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Parabéns, minina Vânia: cantam as nossas almas
Preciso que leves a sério o que te vou dizer, pá. Faz de conta que estou a morrer e que tenho urgência em te dizer o essencial, nos poucos minutos (quiçá segundos) que me restam. Que te direi, logo hoje, que é dia do teu aniversário? Parabéns & felicidades, claro (o mais óbvio). Mas também que és a mais importante realização da minha vida (em parceria com a extraordinária Mãe que te ofereci). Já tens idade para saber que a vida não é uma estrada plana, recta e segura; que um mundo só com facilidades apenas existe nos livros ou filmes mais fraquinhos; que há valores muito maiores que os do dinheiro, do poder ou do estatuto social; que o contrário de desistir é persistir e resistir; que vale a pena sonhar com aparentes impossíveis e tentar atingi-los pela via do trabalho honesto; que é sempre preciso distinguir o essencial do acessório; e, já agora, que o amor dos Pais é como um céu (carregado ou leve, limpo ou enevoado, claro ou escuro, sereno ou trovejando, diurno ou escondido na noite) que nunca se vai embora e está sempre pertinho de ti.
Preciso que leves a sério o que te vou dizer, pá. Faz de conta que estou a morrer e, no pouco tempo que me resta, te quero dizer o essencial sobre o que somos (tu, a tua mãe, eu). “Que é que nós somos?”, perguntava-te eu há umas décadas; e a menina que eras respondia, com a força (eterna) dos seus dois-três anitos: “Uma família!” Sabes? Talvez nem fosse preciso que crescesses tão bem (em inteligência, cultura, beleza, carácter) para se perceber que resultaste numa obra grande e certa. Por mim, sinto-me muito grato a todos os deuses por teres devindo o que (nos) és. E, aqui entre nós, deve ser pecado sentirmos tanto orgulho em ti, ó miúda nossa!
Leva a sério o que te digo, pá. Faz de conta que nunca morreremos. Guarda bem este beijinho de hoje – e continua a tua obra linda, linda. Isto é: a tua linda, linda vida. (E viva o Sporting!)
Parabéns, leoa do papai e da mamãe!
Coimbra, 02 de Setembro de 2022.
Joaquim Jorge Carvalho (& MPC)















