Aniversário do Sol
A poesia da Vida está em haver nos seus habitantes a inata convicção de que, para lá de cada inevitável noite, há sempre um novo dia à espera dos vivos. A coisa repete-se, repete-se, repete-se. Trata-se, digamos assim, de uma espécie de eternidade (imperfeitamente garantida): o dia envelhece e morre, mas volta outra vez.
A nossa descendência é, como os dias sucedendo às noites, uma promessa de Sol a haver, que durará para lá do ocaso que um dia seremos. Eu e a MP sabemos muito bem disso desde o nascimento da nossa única Filha única, e não poucas vezes elaborámos sobre o tema.
Claro que, com o amor, vem o sofrimento, isto é, a demencial preocupação à roda do bem-estar de quem amamos e a omnipresente responsabilidade de para sempre proteger, aconselhar, ralhar, estar pronto para o socorro que seja preciso.
Habituei-me a admirar a minha Filha, desde pequenina, pela sua inteligência, os seus valores, a sua capacidade de trabalho. Veio também a revelar-se uma Mãe extraordinária, capaz de andar com o mundo às costas pelo seu único Filho único. A nossa menina, que era o nosso Sol, deu à luz um novo ser que será, para ela, o mais importante Sol da sua vida. Mas, para mim e para a MP, não se tratou de um simples adição de sóis – a Filha e o Neto devieram um mesmo Sol consubstancial.
Neste dia 2 de Setembro de 2026, eu e a MP confirmámos, em rápido debate, que habitamos uma maravilhosa bolha de ternura e orgulho. E deixámos registado em ata, nos nossos corações, que é maravilhoso estarmos vivos quando há Sol e Amor à volta.
Parabéns, Filha!
Ribeira de Pena, 02-09-2026.
Joaquim Jorge Carvalho
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