Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

domingo, 27 de março de 2011

Dia Mundial do Teatro


O palco o mundo dentro de mim
A plateia a teia de corações
Entre mim e o outro encenações
De realidade com perlimpimpim

Palavra gesto dança rendez-vous
Viagem comovida vida olhares
Música sussurros ais esgares
Silêncio sentidos sonhos luz

O Teatro, ó Zé -
Sei lá bem o que é!

Coimbra, 27 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (da peça O que diz Molero, original de Dinis Machado, versão dramática de Nuno Artur Silva, encenação de António Feio e interpretação de José Pedro Gomes e António Feio) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.tv1.rtp.pt.]

Sobre a raridade do ouro


Ao contrário do ouro, que é raro e se esconde, regra geral, em lugares recônditos (de difícil e moroso acesso), a porcaria parece nascer em todo o lado e disseminar-se com obscena rapidez e fartura.

Coimbra, 26 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.oiacapao.blogspot.com]

quinta-feira, 24 de março de 2011

Litoral, litoral!


Alguém se esqueceu do manual de História e Geografia de Portugal na sala de convívio. O livro, entreaberto pelo vento, borboleteia sempre a cada nova aragem. Talvez o dono do livro seja um dos petizes que, suado e absorto como um profissional da Champions, joga uma partida de futebol pela sua turma como Nun'Álvares pela glória. Um pedacinho de mar escapa-se de uma ilustração avulsa, a páginas sessenta e sete do manual. Detenho-me por instantes, invejando ali um certo vulto barrigudo, ao canto da foto turística.

A funcionária sorri-me:
- São uns malucos. Esquecem-se de tudo...

Eu estou no interior de Portugal há já dezasseis anos e nunca me esqueci da praia.

Arco de Baúlhe, 24 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

quarta-feira, 23 de março de 2011

Incolumidade


Quando eu era menino, assustava-me a ideia de não ser amado por toda a gente.
A idade traz-nos as dores nas articulações e a amargura nos corações, mas também aquele sábio olhar dos cães antigos sobre as pressas do mundo.
Ainda quero muito ser amado, hoje. Percebo, contudo, como fica tantas vezes melhor no curriculum ter esse desamor das víboras maldosas, dos vermes ignorantes, dos insectos hipócritas.
Melhor, por nós, que certa gente não goste de nós.
Estar na selva não tem de significar ser da selva.

Ribeira de Pena, 23 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.senado.gov.br.]

terça-feira, 22 de março de 2011

O Leão da Estrela


Não tem de ser racional a explicação de uma dor, pois não?
A morte de Artur Agostinho, como a de Fialho Gouveia e a de Raul Solnado, significa para mim um adeus a um tempo.
Bem sei, alguma coisa da história da televisão se cruza decerto com esta saudade que não consigo deixar de sentir.
Mas chegam-me à memória, sem esforço, outros ecos: relatos de hóquei em patins rádio-ouvidos em Setembro, na praia de Mira; gritos de goooolo do Sporting numa quarta-feira europeia, ali entrepercebidos à porta do Café Lusa Nova...
A morte dos que eram o mundo quando eu era tão mais lindo e limpo é já um pouco a minha morte sendo.
Eu gostava do Artur Agostinho. E acho que ele foi, à escala do que me lembro-sinto, um grande português.

Ribeira de Pena, 22 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

King Kong visto da terra


ó môdê zukékékilatreparócéu pá
safassakilali namepareçudiabo
émazéumonstrókaraça zópá kumóêtê
akilémazé umgandachimpanzé
ózéssaidaí ómômalandrão
rrrrrraçadoputopá pakékeuvimkontigó assolapadodokatan
ukobichokerékomêpá numvezabocadelaberta kumótúneldomarão não

vrrrrraaaauuuum fichfichfich zzzuuuummmmm
tufteftuf teftuftaf pingzing véum tóim toktoktok zepzapzep

zazuz obichakabakánochão kagentembaixesmagadinha katan
tátátátátá prepararotrarrajadajá mazagorórrostããã
tátátá tátátalto kuzelikópterozaindakaem katan

tchtchtch tchtch tufteftuftef taftaf ping zing véum tóim

aaaaaaaaaaaae ipáôpá fugefugekim katan fugezé kugajakabaporkairaki

trástróstrástumba tóimtóimtrum pofpápápás

tomaláképaprenderes kakinaterramandópovodaterrãpá
orora ikemmuitaltassobàbruta àsvezezékemkomaispressaterra
olhópá uzazareskakontecempá kavidémesmassimpá éônoé katan

inkoinkunk oinkunkink páspofpás pufpufpuf

lávaieleózé ochimpanzélávaipá
nãtinklineszagora katan kátankezapassaràbeirinhadagentózé
dákámãopá arrekéchhatorrapazã mazeudoutózé aidôdôzé
possipáfrentópai
támazékikietópá


Ribeira de Pena, 22 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.cinesemana.com.]

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia 21 de Março com o gajo da poesia


A palestra tinha a ver com a data: 21 de Março, Dia Mundial da Poesia.
Falei hoje do assunto aos alunos do CEF da minha Escola.
Muito resumidamente, o que lhes disse foi que cada um deles constitui um inteiro mundo e que precisamos de linguagem que diga, de cada um de nós, que somos um mundo inteiro.
Sublinhei, como pude, que a vida e a literatura precisam uma da outra.
E que, se outra razão não houvesse para a lermos, havia esta de o mundo poder ser infinitamente mais pobre sem versos, histórias, teatro.
Foi uma manhã útil, tanto quanto pude perceber. Com os alunos, a Dona Glória, as colegas Rosário e Elsa, li e discuti aspectos fundamentais da comunicação humana.
O público esteve em silêncio quando era preciso silêncio. Interveio quando foi chamado a intervir. E, frequentemente, riu-se (como também é natural quando se fala de literatura, senhores).
Sinto-me bem na pele desta espécie de apóstolo do texto literário, mais ainda quando - como é felizmente o caso - tenho cúmplices tão dedicados como eu. Cruzei-me agora à tarde com um dos rapazes que me ouviu de manhã. Ele sorriu-me, de forma simpática e bem humorada. Talvez dissesse para a colega caminhando a seu lado: "Aquele profe é o daquela cena d'hoje, na biblioteca, o gajo da poesia".
Não me importaria nada que isto (que imagino) fosse verdade. Um "gajo da poesia", ou "da literatura em geral" - não era má antonomásia para a pobre existência de um professor em Portugal.

Arco de Baúlhe, 21 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

domingo, 20 de março de 2011

O Teu Nome Flutuando no Adeus


Passei parte de Sábado e Domingo num encantamento grato. A minha colega Olívia Sofia Coutinho emprestou-me um livrinho intitulado O Teu Nome Flutuando no Adeus (Lisboa, Ed. Oficina do Livro, 2003). Traduzido por Luísa Diogo e Carlos Torres, o volume compreende histórias (supostamente autobiográficas e falando da intemporal questão de amor & perda) de nove eméritos escritores da língua espanhola: Alicia Giménez Bartlett (Espanha), António Sarabia ((México), Horácio Vásquez-Rial (Espanha), José Manuel Fajardo (Espanha), José Ovejero (Espanha), Luis Sepúlveda (Chile), Mario Delgado Aparaín (Uruguai), Mempo Giardinelli (Argentina) e Nuria Barrios (Espanha).
Nos próximos dias, deverei escrever novamente sobre alguns dos contos que o livro oferece. Por hoje, não resisto a falar-vos de “O musguinho na pedra”, de Antonio Sarabia. O autor reporta-nos lembranças da sua adolescência e, à boleia desse exercício, conta-nos a história de um amor por certa rapariga perfeita que tinha, entre outras especificidades, a notável qualidade de não existir.
Explico-me. O protagonista fartar-se, em certa tarde da sua juventude, de ver os amigos exibindo namoradas, e de os ouvir falar das suas proezas lírico-eróticas, e de lhes suportar questões sobre a sua (do autor) própria vida afectiva, sempre com remoques suspeitosos sobre a (in)virilidade de quem não namorava ainda. Um inferno! Por isso, decide inventar uma certa “Inés” - e da sua relação com a dita vai-lhes dando conta, dia a dia, aportando pormenores narrativos esforçadamente verosímeis.
O cuidado no fabrico da ficção vai ao ponto de o protagonista procurar, na cidade onde vive, uma casa ideal para Inés morar, e de também aí conhecer – ao longe – os pais da amada, o carro da família, o cão (a que chamará Matías).
De episódio em episódio, a narrativa evolui para um namoro sério, uma dedicação grande, uma paixão profunda. O autor, por não ser capaz de ultrapassar o que o decoro e o amor suportam, decide pôr um fim a esta relação: a amada fictícia partiria, subitamente, devido à transferência de seu pai para um lugar distante…
Para cumprir o seu papel de amador abandonado, ele vai ainda até à “casa de Inés”. Por ironia cósmica, o edifício está nesse dia fechado, as cortinas corridas, o carro e o cão ausentes. A realidade bate certo com a narrativa interior. E o jovem apaixonado acaba, senhores, por chorar lágrimas verdadeiras.
Não vejo este conto, sublinho, apenas como uma simples habilidade retórico-estilística. Entendo-o como uma confirmação do que profundamente defendo acerca da narrativa: a matéria narrada, mais do que um enunciado sobre a vida, é também – ela própria – vida tout court.

Ribeira de Pena, 20 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

Problema d'água


Uma flor na varanda de um prédio morre por não haver quem lhe dê água.
Também eu, por vezes, trago flores moribundas em meus olhos.

Ribeira de Pena, já 20 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (pintura de Van Gogh) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.ternaeanoite.blogsapo.pt.]

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mãe imortal


Estive cerca de nove meses dentro da barriga da minha mãe. Reparto com a maioria dos mamíferos humanos esse aspecto pré-biográfico.
Depois, nasci. A minha mãe continuou a chamar-se a minha casa e, tirando alguns detalhes físico-químicos, manteve-se entre nós o sagrado vínculo umbilical.
Há quase quarenta e oito anos que é assim.
É verdade que a nossa cartografia doméstica nem sempre coincide. Mas onde eu estou, está a minha mãe. E em tudo quanto faço, desde muito menino, há sobretudo a secreta esperança de que a minha mãe tenha orgulho em mim.
Ela faz hoje setenta e um anos e eu dei-lhe os parabéns, via telefone, a 260 quilómetros do seu sorriso.
Já agora: sinto estes setenta e um anos como (apenas) um pormenor, porque a minha mãe é imortal enquanto eu andar por aqui a lembrar-me dela.

Ribeira de Pena, 18 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A foto foi tirada em 2006 e reúne, por feliz acaso, duas meninas queridas. A V. era, à época, quartanista de Direito e havia naquele preciso dia o desfile da Queima das Fitas.]

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sino (a pensar em Thoreau)


Ao fim da tarde tranquila
Entra pela minha sala
O som do sino da vila
Que diz mais no que me cala.

Irónico, triste engenho
Que traz no tempo que dá
Não as horas qu'inda tenho
Mas outras que perdi já.

Ribeira de Pena, 17 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

Uma Recordação Indecente


Agustina Izquierdo é o nome da autora de um belo romance, Uma Recordação Indecente (Lisboa, Editorial Teorema, 1995, tradução de Magda Bigotte de Figueiredo). Descubro, só depois da leitura, que "a senhora escritora" é, afinal, não a escritora catalã que eu julgava que era, mas um escritor. "Agustina Izquierdo" trata-se de (leio) um pseudónimo de "um escritor francês".
O meu amigo Daniel Abrunheiro garante-me, muuitas vezes, que é capaz de, em 90% dos casos, saber se determinado texto literário é de um homem ou de uma mulher. Ora, eu fui gloriosamente enganado no caso de Uma Recordação Indecente. Embora a narrativa distribua o discurso por várias vozes, várias personagens (masculinas e femininas), eu juraria que ali havia - a tutelar demiurgicamente o enunciado - uma mulher escrevendo-se.
O romance trata das questões magnas do Amor e da Perda. Mas, pelo meio, há um admirável tratamento do Desejo ("esse cão", como escreveu Augénio de Andrade): estranhas e perturbadoras fantasias sexuais, ousadias de linguagem equilibrando-se entre o porco e o sublime, mistérios sobre o corpo (o nosso e dos outros) - eis de que é feito o ritmo (o frémito) essencial deste discurso narrativo.
Alguns passos pareceram-me antológicos. Deixai que vos ofereça dois pequenos excertos.
Na página 90, exprimindo o ponto de vista de um homem subjugado, em registo que (sei lá porquê) me lembrou A Dama das Camélias, de Dumas Filho, lemos:

"Todos os dias eram uma recusa. Eu nunca sabia que forma ia assumir a frustração nem em que momento o meu desejo,impedido, me iria levar a cerrar os punhos repentinamente. Mas sei agora como é impossível dominar o sofrimento que nasce da frustração; não há nada que o não piore; é praticamente impossível tentar abafá-lo no momento em que ele nos lembra mais uma vez a entrega e volta a mergulhar-nos no mesmo desespero de uma criança que deita os bofes pela boca tal a fome que tem. Sei como é ilusório tentar impedir que ele se estenda ao dia inteiro e até aos sonhos que o encerram, onde o desejo se vinga e onde a excitação, longe de se acalmar, aumenta, endurece, cristaliza."


Na página 110, a definição de Deus (da ideia de Deus), por Agustina Izquierdo, soou-me ao nosso Ruy Belo, e não é pouco elogio dizer-se tal seja a (e de) quem for:

"Deus é o que não cessa de cair. [...] O que é Deus? Que tenhamos nascido. Que tenhamos nascido de outras pessoas que não nós mesmos e a partir de um acto em que nós não estávamos presentes e esses outros estavam nus."


E agora, para que novamente se roam de inveja, aqui vai o (já habitual) apontamento de reportagem: o meu livro foi comprado no hipermercado do Jumbo, em Vila Real, e custou-me um Euro. Pois, pois.

Ribeira de Pena, 17 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

quarta-feira, 16 de março de 2011

Burocracia


A burocracia tende a inculcar-me ideias sucidárias. Vingar-me, desaparecendo.
O lado maior desta vingança seria o o Estado não poder condenar-me à morte. Bem feito.
Mas haverá decerto mangas-de-alpaca a tratar do assunto, neste preciso momento em que escrevo "Bem feito".

PS: O problema é que o suicídio me parece (mas não tenho a certeza) ainda mais estúpido que a burocracia.

Arco de Baúlhe, 16 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A foto (de Kafka, como se adivinharia) foi colhida, com a devida vénia, em http://matracacultural.wordpress.com.]

terça-feira, 15 de março de 2011

Fuga d'Aqui (com mote de Pessoa)


Grande é a Europa, a Alemanha, as Finanças
Mas o melhor de tudo são as crianças!

Ribeira de Pena, 15 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (o "Chico Bento", do grande Maurício de Sousa) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.tempusatempus.blogs.sapo.pt.]

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Erva Amarga


Marga Minco, conheceis?
Por um eurinho, no hipermercado do costume, comprei o romance A Erva Amarga, desta escritora holandesa. Um achado!
É impossível ler o romance sem ter, como um eco d'alma, a leitura de O Diário de Anne Franck, de Se Isto é Um Homem (de Levi) ou de O Mundo em que Vivi (de Ilse Losa). Também aqui encontramos a ignóbil pata do nazismo trucidando indivíduos, obras, humanidade.
De singular, encontrei no romance (autobiográfico) de Minco um modo de contar muito hábil, que nos vai dando conta, pelos olhos inocentes de uma criança, das sucessivas transformações que a bestialidade impõe às existências simples. Aparentemente, o relato ocupa-se de aspectos demasiado triviais e, dir-se-ia, despiciendos (do ponto de vista da narrativa) do quotidiano de uma família: refeições, brinquedos, roupas. Mas essa é,afinal, a base da eficácia romanesca: percebemos, página a página, que a história contada virá a ser sobretudo uma espécie de narrativa de perdas. Marga perde a tranquilidade, a liberdade, a casa, a companhia dos mais queridos, a infância, a vida como era...
Isto é, o romance dá-nos conta, pacientemente, aturadamente, de uma normalidade. É a intolerância nazi que, depois, vai privando, hora a hora, objecto a objecto, a personagem principal dessa normalidade que era, voilà, a felicidade. Lendo o relato, sabe-se isto, sentindo-se isto.
No final da história, sabemos da provável morte (nos campos de concentração) dos pais e irmãos da autora. Mas, antes de termos a certeza de tal, conhecemos o tio (paterno) de Marga. Com o fim da guerra, este homem tornara-se um atento e obsessivo observador de eléctricos, e não conseguia, de manhã à noite, separar-se de uma certa paragem onde - achava, cria ele - chegariam de repente os familiares há tanto tempo não vistos. Mesmo quando tomava as suas refeições, este judeu procurava o ângulo certo da sala ou da cozinha para continuar observando o lugar exacto onde os eléctricos paravam...
O tio de Marga morreria sem que, infelizmente, se realizasse o doido sonho. A terminar a obra, a narradora despede-se da tia (mulher do sonhador) e caminha pela rua fronteira à casa. Dou-lhe, devolvo-lhe a palavra:

"Devagar, caminhei para a paragem. Já tinha visto que ainda não havia nenhum eléctrico. Mas havia chegado entretanto um do outro lado. // Fiquei a ver a pessoas que saíam, como se esperasse alguém. Alguém com um rosto familiar, ali na frente do meu. Mas faltou-me a fé do meu tio. Eles nunca mais regressaram: nem o meu pai, nem a minha mãe, nem a Bettie, o Dave ou a Lotte."
(Cf. Marga Minco, A Erva Amarga, trad. de Maria Clarinda Moreira, Lisboa, Editorial Teorema, 1997, p. 117.)

E o livro termina com esta certeza. Não há mais páginas, (porque) não há mais esperança.
Um grande livro, senhores, que valeu o meu Domingo inteiro.

Ribeira de Pena, 14 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho