Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ortodependências (Fábula)


Cheia de boas intenções, o professor de Área de Projecto desafia os alunos a colocarem, nos lugares da cidade mais publicamente associados ao tráfico de droga, um cartaz combatendo o flagelo. A ideia é aconselhar os jovens frequentadores dessas zonas a deixarem o vício.
À entrada do bairro mais perigoso da urbe, um adolescente cola rapidamente uma cartolina branca no vidro lateral de uma cabina telefónica e foge dali a correr. Quem se aproximasse poderia ler a mensagem inscrita: “NÃO À DROGA!”
Horas depois, chega um toxicodependente. Com ar impaciente, procura o dealer. Lembra-se de telefonar. No bolso sujo, busca moedinhas, depois chega-se à cabina. A cartolina desperta a sua atenção. Lê o texto e exclama, furioso:
- Porra! É a segunda vez! Já ontem foi a mesma coisa! Vou começar a comprar noutro sítio, meu…
E vai-se embora.
Não sei se haveis percebido o ruído comunicacional desta história talvez verdadeira: o drogado percebeu da mensagem que não Havia droga. Com agá.
A ortografia tem, pois, a sua importância…

Coimbra, 22 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.telefonica.net.]

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Amor, isto é, Sol (e vice-versa)


É a Luz que separa o reino da Noite do reino do Dia.
Porque tudo começa nesse milagre chamado Luz.
É também por isso que o sentido da palavra Luz é tão grande e tão lindo.
E é ainda por isso que, mesmo se dita na sua acepção física, a palavra Luz se parece com uma metáfora ou uma hipérbole.
Assim, não te admires, amor, que diga à tua passagem, aquecido e iluminado como um arbusto simples, "Bom dia, sol".
"Bom dia, sol" é como se dissesse "Bom dia, amor".


Ribeira de Pena, 21 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Pintura de Claude Monet ("Impressão do nascer do sol") colhida na Wikipedia.]

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SPORTING CLUBE DE NÓS


Raciocinar sobre o futebol obriga a – perdoai o paradoxo – que nos deixemos tomar pela emoção e pelo sentimento. Dito isto, deixai que desabafe: o meu Sporting é grande e o treinador é demasiado pequeno para a dimensão da nau verde-branca.
Eu, por exemplo, conduzo uma carrinha de marca Nissan Primera. A minha competência está ao nível (utilitário) desse veículo. Talvez gostasse de conduzir um Ferrari ou um Porsche, mas provavelmente essas máquinas ficariam em perigo e os transeuntes também. Está a perceber, Paulo Sérgio? De cada um segundo as suas capacidades, poderia dizer o velho Marx…
O treinador Paulo Sérgio, se se apanha a ganhar, pede a Deus que o jogo acabe rapidamente. Já me envergonhei, perante portistas e benfiquistas, com substituições borradinhas de medo – o Saleiro e o Zapater, coitados, entram muitas vezes em jogo durante o período de descontos, apenas para roubar uns segundos a poderosos oponentes como a Académica ou o Leiria.
Quando, em determinada altura da partida, um treinador retira um avançado e opta por um defesa (sai Liedson ou Postiga, entra Nuno André Coelho), que sinal dá aos seus jogadores e, sobretudo, ao adversário?
O defeito de ler mal o jogo é já suficientemente mau. Mas igualmente na preparação do plantel se nota bem a qualidade (ou falta dela) do treinador. O Sporting já tinha Pedro Mendes; foi ainda buscar Maniche, André Santos e Zapater. Defender, defender, defender! Aliás, com engenharia digna de estudo, este mister já conseguiu jogar com todos simultaneamente – e mesmo assim a equipa sofre golos.
Ao contrário de Paulo Bento que foi conseguindo, sem ovos de grande qualidade, confeccionar dignas omoletes, Paulo Sérgio tem bons laterais (melhores, por exemplo, do que os do F.C. Porto), tem um grande “trinco” (André Santos), mantendo-se na equipa os médios e avançados que pontificavam nas épocas anteriores.
Explicar o insucesso desportivo com Bettencourt e Costinha ou Couceiro é injusto e errado. O Sporting não tem um treinador à altura da equipa e do clube, e isso nota-se muito. Paulo Sérgio conseguiu matar Saleiro, vulgarizar Liedson, amedrontar equipa em geral, moralizar adversários. Sei que não é por mal, obviamente; mas é isso que, na verdade, acontece.
Paulo Sérgio tem melhor gramática que Jorge Jesus e melhores modos que Villas-Boas. Mas falta-lhe o espírito positivo (ofensivo) do técnico das águias e a ambição do jovem treinador dos portistas. Reconheço no provisório timoneiro do Sporting a vontade de fazer bem e a convicção com que assume as suas f(r)ases. Lá discurso tem ele! (Se é assim a perder, como seria a ganhar…)
Mas – reitero – deveria ser dada a Paulo Sérgio uma tarefa à dimensão de Paulo Sérgio: Naval, Paços de Ferreira, Nacional, talvez (até) o Braga. Mais, não. É natural que não se queira demitir, mas isso resolve-se com indemnização (mais uma).
Mediania por mediania, ao menos que venha um sportinguista, como – por exemplo – Manuel Fernandes, esse tão mal tratado leão. Quando o Vitória de Setúbal eliminou o Sporting,na Taça, a sensação que tive, ao longo de noventa minutos, foi a de que os treinadores estavam trocados.
Bem sei: nós nunca poderemos ser o “maior” clube português; esse clube é fatalmente, pelo menos por enquanto, o Benfica. Mas poderemos ser o “melhor” (ou ser um dos melhores), n’est-ce pas?
Amen.


PS: Já agora: gostava que Rogério Alves fosse presidente do Sporting.

Arco de Baúlhe, 20 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.sportinguistascentenario.com]

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Statu Quo & Quid Pro Quo


José Sócrates, ao que parece, já reiterou a intenção de - apesar do país - se manter primeiro-ministro, com ou sem FMI. Aliás, reiterou também a intenção de - apesar do PS - se manter como secretário-geral.
Cavaco Silva candidata-se à reeleição para o cargo de presidente da República. Sobre o estado actual do país, explica ao povo que o seu papel não é o de governar, logo, não tem culpa. Por outro lado, com vista à sua reeleição, adianta que afinal é possível exercer uma "magistratura activa" e obrigar o país a entrar nos eixos.
Como se vê, a Política em Portugal não tem muito a ver com decoro ou coerência. (Decoro e coerência são a dupla face de um substantivo em extinção nesta Europa muito liberal e globalizada - a decência.)
Caros amigos, despedi-vos de todas as dúvidas: o celibato da Culpa, em Portugal, é um inamovível (i-na-mo-ví-vel) dogma.

Arco de Baúlhe, 18 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.sapo.pt.]

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estar - Ir - Ser


Destes montes um rio sai -
Passa a caminho do mar.
O lugar p'ra onde vai
É onde eu queria estar.

Ribeira de Pena, 16 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

Lobo(s)


A MP comprou na Natura alguma roupa que aqui não importa referir.
No exterior do saco das compras, há um texto não assinado (que, em boa verdade, lembra fórmulas de Paulo Coelho & derivados). Trata-se de uma narrativa.
Como estou habituado a ver sinais sobre mim nos mais ínfimos aspectos do quotidiano, detenho-me na história. Reza assim:
«Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:
- Sinto-me como se tivesse dois lobos lutando no meu coração. Um é um lobo irritado, violento e vingativo. O outro está cheio de Amor e compaixão.
O neto perguntou:
- Avô, qual dos dois ganhará a luta no seu coração?
O avô respondeu:
- Aquele que eu alimente.»

Desvio a atenção do saco da Natura para dentro de mim - e interrogo-me agora, por estas avenidas do Dolce Vita, sobre o lobo que eu próprio venho alimentando…

Vila Real, 16 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eternidade de ocasião


Por um Euro, adquiri A Preço de Ocasião, um romance de Isabel Fraga (já agora, filha de Urbano Tavares Rodrigues). É uma narrativa enxuta, sobre os amores e desamores da contemporaneidade, a falência dos ideais e, de certa forma,o triunfo dos porcos que nem a Orwell intimamente pareceria tão irremediável. De diferente dos best sellers - ou "bestas céleres", como dizia O'Neill - que vi no hipermercado (Santos, Pintos, etc.), este romance encerra o pormenor de estar bem escrito.
Retive uma expressão da autora sobre muitos dos modernos casos de sucesso do nosso tempo (adequável à política, à literatura, à escola, à economia, etc.): "vómito iminente". Bingo!
Guardei igualmente um trecho entre aspas (cuja fonte não é identificada, mas que poderia ter origem em Bergson, em Proust, em Faulkner, em Dinis Machado, em Joyce ou em Yourcenar):
«Tudo acontece ao mesmo tempo. Tudo está sempre a acontecer. Quando olhamos para um quadro onde está expressa uma paisagem, não nos perguntamos se o autor fez primeiro o céu, depois a árvore, em seguida a casa e o telhado para voltar às folhas e dar o último retoque nas nuvens. A paisagem está lá como um todo, e esse todo tem uma vida perfeita, harmoniosa. Só a nossa mente é sequencial. [...] O pintor pode até ter aproveitado uma tela, onde estava o mar numa noite de tempestade, pintando-lhe por cima um olival tranquilo. Quando olhamos o quadro, não é o mar que vemos mas sim as árvores, contudo o mar também lá esteve, também lá está.» (ob. cit., p.83)

Ouço,a esta hora, tocar os sinos da igreja do Salvador, em Ribeira de Pena. Funeral, adivinho. A morte de alguém que decerto não conheci ecoa, aqui, no meu presente, faz momentaneamente parte da minha vida. E a minha vida toda é esta, é isto. O mundo todo é este que se vê do meu quarto ribeirapenense (incluindo o cão lazarento que atravessa, sem relógio, a estrada). Não há antes nem depois, só esta solidão aparentemente perene que vai na corrente.
Casas, árvores, mar (ou falta dele), um cão, nuvens, eu. Eis tudo o que é Agora enquanto outro Agora definitivo se não vê.

Ribeira de Pena, 16 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sonho: Céu, Mar


Entre a triste condição da pequenez e um mar ou céu de alegria, há um caminho.
Chegar ao céu ou ao mar apetecido obriga o caminhante a um esforço constante e demorado.
Mas antes dos passos é necessário que o céu ou mar sejam vistos, percebidos.
Ou, à falta de os vermos, que acreditemos na sua existência.
A ideia é esta: sonho, logo, posso. Sonho, logo, caminho.
Meu amor, escuta-me agora: se sonhares comigo, o sonho é maior e o caminho mais fácil.


Arco de Baúlhe, 14 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Explicação da Luz


A professora primária era, aos meus olhos infantis, o Livro Grande onde morava todo o conhecimento. Certa manhã de 1969, disse-nos que os dias começavam quando o Sol nascia. Achei, com pena, que a professora se enganava. Parecia-me a mim que os dias começavam quando a minha Mãe se levantava: ao meu quarto chegava, então, o cheiro de café com leite e de torradas, e também o som da rádio enchendo a manhã de música e locução útil. Esses sim eram fiéis sinais de novo dia à espera de nós.
Vim a descobrir que a professora estava certa e eu, apesar de tudo, também. Porque os dias do meu mundo começavam quando o Sol nascia, sim. Mas o Sol dormia no quarto ao lado do meu e levantava-se para nos preparar roupa, pequeno-almoço, merendas. Era Ela.
Ainda hoje, com vagar septuagenário, se levanta para cuidar de quem precisa, de quem precise. Talvez seja da própria natureza da maternidade este cuidado universal, estendido de filhos a netos. Uma Mãe quando nasce é, como o Sol, para todos.

Ribeira de Pena, 13 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Por que te queixas


- Tens esse hábito irritante de te queixares constantemente - disse-me herr Goering, enquanto um a um me cortava os dedos dos pés com uma tesoura de podar, revelando no exercício uma precisão e uma eficácia admiráveis.

Ribeira de Pena, 12 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

domingo, 9 de janeiro de 2011

Epígrafes à superfície de um Café


Li recentemente um grande romance da literatura italiana e universal: Café Debaixo de Água, de Stefano Benni (Ed. Ulisseia, 2010).
Sobre os contos que, juntos, são o romance falarei mais tarde.
Para já, ofereço-vos algumas das maravilhosas epígrafes que Benni escolheu para cada capítulo.
“[…] a terra / com quem dividiste o frio / para sempre será / impossível não a amares.” (Vladimir Majawoski)
“Em branco manto real todo ele reluzente, onda e chama: É a Traça!” (Paul Verlaine)
“[…] o cachalote respira apenas um sétimo, ou seja, um domingo de todo o seu tempo.” (Herman Melville)
“Tanto faz o homem que, no fim de tudo, acaba por desaparecer.” (Raymond Queneau)
“Nos tempos do fascismo / não sabia que vivia / nos tempos do fascismo.” (Hans Magnus Enzensberger)
“[…] os apaixonados de verdade inventam com os olhos a sua própria verdade.” (Molière)
“A única paixão da minha vida foi o medo.” (Thomas Hobbes)
“[…] a vida não passa de figura e fundo.” (Samuel Beckett)
“O país da nossa nostalgia é […] o normal, o decoroso, o amável, é a vida na sua sedutora banalidade.” (Thomas Mann)
“Quando o jogo se torna duro / os duros começam a jogar.” (John Belushi)
“Em nenhuma outra língua é tão difícil entendermo-nos como na nossa própria língua.” (Karl Kraus)
“Podes levantar-te muito cedo de madrugada, mas o teu destino levantou-se uma hora antes de ti.” (Provérbio africano)
“Todas as injustiças nos ofendem quando não nos trazem directamente nenhum lucro.” (Luc de Vauvenargues)
“O Sono!... Varredor do rancor!” (Tristan Corbière)
“E morrerá sem um lamento / como sonham todos os heróis. / Apenas um anjo com uma bala / e Cagney no grande ecrã.” (Tom Waits)
“As pessoas não morrem, ficam encantadas.” (João Guimarães Rosa)


Ribeira de Pena, 09 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

1972


1972. Vou à baixa de Coimbra com a minha mãe, mão na mão. Ela leva-me ao barbeiro, ali ao lado do Café Santa Cruz e, depois, ao registo civil para o meu primeiro bilhete de identidade. No mercado, compra-me um pastel de nata e um livro. Deve ser primavera. A minha mãe é uma mulher linda e cheia de saúde.
Aquele dia faz-me hoje tanta falta, mãe!

Ribeira de Pena, 08 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Imagem (foto JJC): Mãe e VL, contemporâneas de antes e depois de mim; gente consubstancial ao que sou.]

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Mundo Em Que Vivi


Li, pela segunda vez, O Mundo Em Que Vivi, de Ilse Losa. Boa parte do encanto e interesse do livro é de cariz ético. Reconhecemo-nos, como no Diário de Anne Frank, no discurso do espanto, da indignação, do desespero, da denúncia.
Mas há mais. Há esse feitiço literário de certas narrativas que nos transportam aos lugares (lugares de geografia e lugares de sentido) e nos aumentam, sendo vistos, a capacidade de ver.
Eu sou agora, talvez, outro leitor, diferente já do mais jovem Joaquim Jorge que pela primeira vez lera o livro. Vivi mais, aprendi mais, cresci em mundo e em memória. Mas o livro recuperou, da minha pessoa antiga, a mesma ingenuidade e a mesma disponibilidade para o espanto que outrora fui.
Isto é: por um lado, o livro é diferente porque o leitor é já outro; por outro, o leitor permanece igual (em pureza e em deslumbramento) porque o livro, no caroço fundamental de si, igualmente permanece-resiste-sobrevive aos relógios. Algo como um aconchego sobrenatural de perenidade.
Afinal, há nos livros - em certos livros - essa possibilidade maravilhosa de nos libertarmos da velhice, desse pó anquilosante que escorre dos calendários para as nossas pobres veias.
Ler, portanto. Ler sempre. Espécie de provisória negação, em nós, da mortalidade.

Arco de Baúlhe, 07 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Da Ira


Falo com ex-alunos e eles, quase indiferentes, dizem-me que acabaram os estudos e estão desempregados.
Falo com pais de antigos e actuais alunos: desempregados.
Falo com familiares e com conhecidos: desempregados, desempregados.
Funcionários do Bingo pedem, na televisão, que alguém lhes devolva o trabalho.
Os dias estão agrestes. Um medo secreto mina-me os ossos e a esperança. A crise rouba a cor aos olhos dos transeuntes e há, em vez de sorrisos, uma espécie de brutidade zigomática.
Talvez por ilusão triste, parece-me que o país se arrasta. Homens e mulheres vigiam-se, em meu redor, como lobos impacientes.
Em certa medida, o meu quotidiano desliza para páginas de Steinbeck afinal contemporâneo. Portugal - Vinhas da Ira.

Ribeira de Pena, 04 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quadra balzaquiana (não interessa a métrica)


Célere, sai da loja moderna
De busto levantado contra o fim...
Trota-passa, levemente, por mim
Como uma brisa breve, bela, eterna.

Coimbra, 03 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem é do filme Shakespeare in Love, com Gweeneth Paltrow.]