
O socialista (?) Daniel Bessa disse, da sua cátedra, que o Estado social está a matar a Economia. A questão, já glosada por dignos comentadores e cartoonistas, poderia ser vista ao contrário: a Economia está a matar o Estado social.
Deixai-me desabafar.
Ando farto de políticos do centrão e de especialistas em défices, dívida pública, equilíbrio orçamental, juros, etc.
De cada vez que ouço um destes experts (ou chico-experts) a perorar sobre economia e finanças atribuindo, invariavelmente, a culpa da crise aos tristes que mal sobrevivem (com salários ou subsídios mínimos, sem mordomias), apetece-me perguntar-lhes:
Quanto ganhou você no ano passado?
Quanto lhe pagam por mês no(s) seu(s) emprego(s)?
De quantas reformas beneficia? (Em quanto importa cada reforma? Durante quanto tempo trabalhou para aceder a cada reforma?)
Quanto ganha em "despesas de deslocação"? E em "despesas de representação"? E em "despesas de residência"?
Quanto lhe paga(ra)m em - digamos - "subsídios de reintegração"?
Quanto costuma ganhar em bónus ou prémios?
O Enforcado vicentino (do Auto da Barca do Inferno) ensinou-nos que se percebe mal o sermão dos poderosos quando se tem o baraço ao pescoço...
Coimbra, 11 de Dezembro de 2010.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http:anove.wikispaces.com.]













