quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Escrito
Escrevo do bom silêncio contra os silêncios maus.
Ribeira de Pena, 09 de Setembro de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto MP]
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
ZONA DE PERECÍVEIS (4)
Bem vistas as coisas
Eu, já vo-lo disse, sou professor de língua e literatura. Gosto de pensar na minha profissão como um ramo da - digamos assim - oftalmologia poética. Quero dizer: uma luta contra a miopia. Uma luta contra as vistas curtas,
Sou
professor de Português e Francês na Escola pública. Cumpro programas,
planificações, horários, ordens. Não é sempre fácil nem gratificante. Mas a
minha missão vai secretamente além dessa cartilha: quero oferecer a cada aluno
o melhor da minha essencial humanidade. E gosto de pensar que, à minha maneira,
os ensino a olhar para o mundo e a vida. Não necessariamente a ver, porque isso
já não depende tanto de mim.
Há
trinta e um anos, a minha filha nasceu com a amável mania da curiosidade. É
essa, como se sabe, uma condição relativamente comum entre as crianças, ponto
de partida – aliás – para a obtenção de preciosos conhecimentos.
A
minha mulher e eu gostávamos muito de ver a miúda, aí pelos seus cinco-seis
anos, em seu ofício observador do mundo, atenta a pormenores de um rosto, de
uma rua, de um prédio, de um automóvel, do mar de Mira. Ela tinha o hábito de
franzir o nariz enquanto observava o que observava – e eu, encantado, achava-a
parecida com um coelho (de Lewis Carroll, atenção!, o das maravilhas
verdadeiras).
Aos
dez anos, o médico descobriu que a nossa filha sofria de miopia, razão (afinal)
para aquela careta engraçada no durante de suas aventuras olhadoras: a menina
semicerrava os olhos e franzia o narizito apenas porque queria fixar-se nos
pormenores a ver.
Lembro-me
de ela, já com óculos, ficar extasiada perante aquela festa de cor e vida que
era um jardim próximo de nossa casa. E de se ter saído com qualquer coisa deste
género: - Ó pá, agora percebo como vocês viam! É tudo tão claro e tão bonito!
Coimbra, 01 de Setembro de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[Esta crónica foi publicada no jornal O Ribatejo, na edição de 03-08-2015.]
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Memória da menina mesma que faz hoje 31 anos
Na
sala era já adormecida
A
menina no sofá, com a cadela
Ainda
não dormindo, à espera
De os
pais da menina lá estendida
A
levarem ao quarto seu (e dela)
Segundo
a rotina percebida.
O pai
até à cama carregava
A
menina. E a mãe abria
Os
lençóis. A cadela saltava
Para
os pés da cama e adormecia
Cúmplice
dos mundos em que entrava
Em
sonhos que a menina ali tecia.
Durante
a noite, os pais da princesa
Vinham
ao quarto confirmar
A
inteira paz do sono e a beleza
Da querida
cria. E suspirar
Por
não ser eterna esta leveza
E tão
frágil ser o humano lar.
Coimbra, 02 de Setembro de 2015.
Joaquim Jorge CarvalhoZONA DE PERECÍVEIS (3)
Bolsa de Agosto
Passei
o mês de Agosto em Coimbra, minha pátria natal. Acumulo este prazer filial com
a praia, aqui a 40 quilómetros, pelo que muitas vezes viajei, nas últimas
semanas, até à Tocha. Apesar da felicidade das férias, nunca consigo estar
completamente em paz, tão profunda é a noção de que o tempo bom – mais do que o
mau – passa tão celeremente. Ganhei, aliás, o hábito de, a cada ida à praia,
trazer para casa uma concha, e de no seu interior inscrever a data da sua
recolha: faço por acreditar que ali guardarei essas horas amáveis na companhia
do mar.
Durante
o mês de Agosto, sinto ainda mais em mim essa urgência de existir que poetas e
emigrantes tão bem conhecem. Com a disciplina dos aflitos, habituei-me a deixar
preparado, a cada noite, no terceiro degrau do meu duplex coimbrinha, o saco da
praia: toalha, chinelos, peças de fruta, água, livro, caderno, esferográfica.
E, acreditai, o método ajudou-me a optimizar horas preciosas.
No
dia 24 de Agosto, cumpri a rotina do dito & amado Verão. Pelas dez da manhã,
levantei-me, fiz a rápida higiene matinal (rosto, dentes, barba) e desci as
escadas. Por misteriosa distracção, ou por confiança exagerada na minha
capacidade de locomoção às escuras, prescindi de accionar o interruptor da luz
daquele corredor descendente. Esquecido do saco colocado no antepenúltimo
degrau, não o divisando em tempo útil, tropecei miseravelmente e caí de costas.
Levei uns dois minutos a reerguer-me, dorido e confuso, gemendo lamentos e
insultos à sorte.
Perdida
a praia, coloquei gelo sobre a área magoada e, no entretanto do tratamento,
liguei a televisão. Foi aí que soube, pelos vários canais de informação, de um
dia terrível nas bolsas da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos, com o valor
das acções a cair de forma abrupta e torrencial. Um especialista financeiro
conjecturava – salvo erro na Sic Notícias – sobre prováveis causas para o
fenómeno. Lembro-me que referiu, logo a abrir o discurso, o abrandamento da
economia chinesa. Mas acrescentou que estas situações resultam também de
factores imponderáveis (que transformam em caos o que, há instantes, parecia harmonia
e ordem) e, muitas vezes, de alguma confiança exagerada dos investidores.
Ouvi-o com moderado interesse, cheio de
dores nas costas. Mas, com tantos locutores a falar de quedas - do Nasdaq, do Dow
Jones ou do PSI 20 -, não deixei de notar o facto de a nossa existência
doméstica ser, em boa verdade, uma vívida alegoria da política, das finanças e
da vida em geral. (Alegoria – confirmar nos dicionários – é um encandeamento de
metáforas.)
Coimbra, 27 de Agosto de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[Esta crónica foi publicada no jornal O Ribatejo, edição de 27-08-2015.]
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Leitura com febre
Aos 11
de Agosto de 2015, releio contos do Le Clézio, um digno Nobel da Literatura. A
história que dá nome ao livro é “A Febre” e centra-se sobretudo na ideia de que
estamos (sempre) a morrer, a caminho da degradação e do Nada. Já me esquecera
do facto de ter recebido este volume, no longínquo ano de 2009 (!), directamente
das mãos do meu Amigo Conceição. Na página 3, há quatro linhas manuscritas - “Coimbra
2009 / Para o Joaquim “Poeta” / Do Amigo / Conceição”. Ele morreu no ano
passado, a 8 de Julho. Dói-me muito que ele não esteja aqui. Nunca apaguei da
minha lista o seu número de telemóvel. E, regressando a Le Clézio, tudo bate
certo, afinal, sendo certo (infelizmente) o mesmo que trágico.
PS: À
minha frente, antes desse consabido fim a haver, está o belo mar da Tocha. Ora,
o Presente é ainda, visto daqui, um presente!
Praia
da Tochas, 11 de Agosto de 2015.
Joaquim
Jorge Carvalho
sábado, 8 de agosto de 2015
Devolução da infância (quadra ao jeito popular)
Fui à praia da Tocha e fabriquei, quase sem pensar, uma quadrinha sobre um reencontro muito adiado. No regresso, vim a cantá-la no carro com a música de "Samaritana", esse antiquíssimo fado de Coimbra. La voilà:
Levei à praia a velhice
E a praia por eu lá estar
Devolveu-me a meninice
Em forma de areia e mar.
Tocha, 07 de Agosto de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://rotadabairrada.pt.]
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
ZONA DE PERECÍVEIS (2)
Parábola da urgência
Há
aquele tempo em que nos sentimos imortais, não é? Acordamos, todos os dias,
para um novo dia, e nenhum dia é o último. Outorgamo-nos secretamente o direito
à permanência ilimitada. Habitamos nada menos que a plenitude. Acreditamos que nenhum
dia é repetido, embora – se o quisermos – tudo seja repetível. E, não obstante
o vago susto de algumas mortes (ou migrações semelhantes), nem sequer
desconfiamos da cínica verdade que nos governa – a de o tempo ser emprestado,
de vivermos a prazo.
Cruzei-me
há dias com um amigo antigo. Daqueles dois ou três que, com sorte, nos é dado descobrir
em cinquenta anos. Há uns seis meses que não o via. Cumprimentei-o de fugida,
porque tinha pressa (questões de mercearia ligadas a carro e casa). Mas
prometi-lhe um telefonema “em breve”. À noite, recordando aquele encontro
desperdiçado, uma vaga neura de remorso ensombrou-me o jantar.
Num
dominó de lembranças, viajei até àquele dia em que não telefonei ao meu Pai, incumprindo
a promessa feita, e depois até àquele domingo em que ele não atendeu a minha
chamada, e depois até àquela manhã de sábado em que o Emanuel (meu irmão) me
telefonou e disse, “O Pai morreu”, chorando como um menino.
Viajei
também até àquele mês de Maio de 2010, quando telefonei para o meu sogro, o
Mestre João (dito “Mestre” em atenção, antes de mais, à sua carreira na
construção civil, depois em reconhecimento da sua faiscante sabedoria) e o
informei do nosso encontro a haver, muito em breve, na Madeira. Sabendo-o doente,
eu vencera o medo de andar de avião e decidira, nesse ano, acompanhar a minha
mulher na viagem à sua ilha natal. O Mestre João gargalhou, feliz com a
notícia, mas quis logo saber a data exacta da nossa chegada. Disse-lha: 29 de
Julho. Após uns segundos, ouvi-o murmurar em tom preocupado: “Não sei se lá
chego…” Ralhei com ele: que diabo de pessimismo, logo ele que era um homem
forte, ainda haveríamos de nos encontrar muitas vezes, etc.
A
meio de Junho, o meu sogro foi internado. A sua saúde esvaziava-se como um
balão cansado. Temendo o pior, a minha mulher foi para a Madeira mais cedo.
Dela fui sabendo que o Mestre João piorara, melhorara, piorara de novo, e que
deixara de comunicar com o mundo, e que respirava por uma máscara, e que,
enfim, por ali jazia sem esperança. Cheguei à ilha, como previsto, a 29 de
Julho. Só no dia seguinte o vi, finalmente, num pequeno quarto do Hospital
Nélio Mendonça onde havia três camas (uma delas ainda – ou já - vazia). A minha
mulher acariciou-lhe as mãos e o rosto, passou-lhe um pano húmido pelos lábios
muito secos, falou com ele (como se ele a pudesse ouvir), disse-lhe que eu já
chegara. Mantive sempre um cobarde silêncio, não conseguindo senão olhar
fixamente para aquele apagamento do Mestre amigo. Ele resfolegava, como um
atleta correndo para a meta (ou então como alguém fugindo de um perigo próximo
e mortal). À saída, garanti à família toda, sem convicção: “Ele ainda acorda,
vão ver!”
Nessa
mesma tarde, enquanto dolentemente caminhávamos por Machico, rente ao mar, o
telefone tocou e a minha cunhada disse: “Morreu.” Com a idade (aí vai um
clichê), aprendemos a distinguir o essencial do acessório. A perceber o que
Eugénio de Andrade quis dizer com isso de ser “urgente o amor”. Ou por que
razão Alexandre O’Neill queria abraçar-se à sua (pontual) amada “contra a
morte”.
O final desta crónica sou eu a conversar, ainda ontem, num Café
familiar em Coimbra, com o meu amigo Rui Candeias, à vista de cerveja e de
tremoços sobre a mesa, reflectindo-resmungando-rindo. Sem pressas, notai, porque
era urgente estarmos ali.
Coimbra, 04 de Agosto de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[Crónica publicada no semanário O RIBATEJO, edição de 06 de Agosto de 2015.]
ZONA DE PERECÍVEIS (1)
O valor da metáfora
A
metáfora, como eu a entendo, é a cósmica tentativa de articular a verdade com o
verbo humano. Radica numa espécie de consciência do défice da linguagem normal,
e na concomitante necessidade (urgência até) de criar modos de dizer o que,
existindo, não se explica facilmente, normalmente. Um dia, em viagem de
automóvel, à conversa com a minha filha, percebi isto muito bem.
Ela
tinha, então, quatro anos. Íamos buscar a minha mulher, que trabalhava a
quarenta quilómetros da nossa residência. Para entreter a monotonia das rectas,
eu ia falando, contando histórias, questionando-a. A miúda respondia com a
simplicidade (de modos e de vocabulário) que a sua pouca idade explica. A certa
altura, perguntei-lhe se gostava de mim.
Ela
respondeu: «Gosto.»
Perguntei-lhe
se também gostava da mãe. Ela disse: «Também.»
Levantei
a fasquia da dificuldade e perguntei-lhe se gostava mais da mãe ou do pai. A
miúda levou mais tempo a responder, mas desenrascou-se bem: «Gosto dos dois.»
Prossegui
a entrevista, complexificando a conversa, já talvez adivinhando a sua
desistência iminente: «Quanto é que gostas de mim?»
Ela,
cada vez mais embaraçada, foi ainda capaz de se exprimir: «Muito.»
Temi
pela minha filha, tão à beira de um esgotamento lexical, mas arrisquei ainda: «Muito,
quanto?»
Caiu
então um mui espaçado silêncio sobre a noite. A menina decerto sentia a
resposta, mas não havia (em seu pobre vocabulário de infante) palavras para
dizer o que inteiramente sentia.
E
nós passávamos enfim por Cantanhede, a caminho da vila de Febres, quando ela, interrompendo
silêncio e breu, apontou para o maior edifício à vista e exclamou: «Gosto de ti
aquela casa toda!»
Entendeis?
A minha filha tinha descoberto a metáfora e oferecera-ma.
ADENDA
Inicio, com honra e gosto, uma colaboração com O Ribatejo. Chego aqui pela mão do Daniel Abrunheiro, cronista
deste jornal, meu amigo e, na minha opinião, o mais importante poeta do século
XXI. Agradeço ao senhor Director de O
Ribatejo a confiança em mim depositada e faço questão de saudar os
(desprevenidos) leitores, apresentando-me de modo sucinto: nasci em Coimbra há
52 anos, sou professor, vivo em Ribeira de Pena (Trás-os-Montes). Ando desde
menino à porrada com o Tempo. Sofro exageradamente de saudades: do mar, do 25
de Abril, da minha rua coimbrinha com árvores, do futuro, da gente que
traiçoeiramente me tem falecido. Hei-de, aliás, falar-vos disto neste espaço,
em escritos – se os houver – a haver. Já agora: descobri a expressão “Zona de
Perecíveis” numa placa de certo hipermercado em Vila Real, no meio de legumes e
frutos muito fresco-coloridos. Cheirava intensamente a morangos em promoção.
Achei logo que o nome naquela placa seria o indicado para um espaço de crónica
jornalística ou para um livro de poemas. Ou seja, digo eu, para falarmos, à
sombra da expressão, da nossa mortalidade imortal. Agora já sabem: se passarem
por esta zona, encontramo-nos.
Joaquim Jorge Carvalho
[Nota: Esa crónica, a primeira que envio para o semanário O RIBATEJO, parte de uma anterior que publiquei em "Muito Mar" no ano de 2010.]
terça-feira, 7 de julho de 2015
Instantâneo filipino ou Arte Poética (revisões)
Hei-de falar disto aos meus alunos: para que eles entendam o que se passa com o jovem filipino; para que eles entendam o que se passa consigo mesmos; para que eles entendam o que se passa com o mundo.
A vida ensina-se.
A vida é um constante enunciado de si própria. A vida é um poema - e é uma arte poética consubstancial ao poema.
Vila Real, 04 de Julho de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, no JN (edição de 04-07-2015).]
Praia do Desejo
1
O poeta dá
asas aos frutos.
2
Os frutos
saem das árvores –
Voam para
fora do pomar natal
Voam à roda
dos olhos
(Voam por
dentro e por cima do poema).
3
Os frutos
exibem ou sugerem
A sua forma
única, a sua específica
Textura, o
seu inconfundível sabor
O seu
característico caroço, a sua
Própria cor,
a sua original condição
De liberdade.
4
Nenhum fruto
volta à árvore original.
Nenhuma
prisão o guarda para sempre.
5
O destino dos
frutos admiráveis é
Serem
admirados.
6
Muitos frutos
tornam-se pássaros, outros
(Que pena
haver o bruto Tempo!)
Envelhecem
Indistintamente.
Vila Real, 04
de Julho de 2015.
Joaquim Jorge
Carvalho
[A imagem foi
colhida, com a devida vénia, em http://www.baudeatividades.blogspot.com.]
Sob o Tempo (Sobre o Tempo)
Somos reféns do Tempo
Até ao fim.
Não há resgate que nos salve
Do sequestrador consabido.
Mas basta um pequeno raio de sol
Colhida à janela da prisão
Para nos fingirmos
(Para nos sentirmos)
Livres
Eternos!
Vila
Real, 04 de Julho de 2015.
Joaquim
Jorge Carvalho
[A
imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.caminhosdamemoria.wordpress.com.]
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Canção de antes do fim
"Tudo o que não tem remédio, depois de dito, remediado está." (JJC)
Tem sempre um outro lado a nossa vida
Porque a cada dia há um verso novo
Que traz consigo já o seu reverso
Isto é, o fim, o adeus, nova partida.
Há mortes que discretamente ocorrem
Sombras leves sobre o sol, sobre um sorriso;
Há outras mais brutais que sem aviso
Matam de outra forma os que não morrem.
E há tanto do passado no presente:
Tempo, sonhos, árvores. pureza...
Há tanto adeus em nós a tanta gente!
Que fazer do fim, desta tristeza
Senão uma canção de estar contente
Por vivo ainda se ver tanta beleza?
Ribeira de Pena, 01 de Julho de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, no maravilhoso filme de animação "The Lighthouse" (2010), de Po Chou Chi.]
Cardíaco urbano (homem olhando certa mulher que passa na baixa de Coimbra)
A cada vez que te vejo
Regressa a taquicardia:
Não sei se é do desejo
De pensar no que faria
Se é por não haver ensejo
De te fazer o que queria.
Vila Real, 24 de Junho de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (da célebre Jessica Rabbit) foi colhida, com a devida vénia, na Wikipédia.]
domingo, 21 de junho de 2015
Brilho
De tantas estrelas se faz a dor
Que digo.
De tantas luzes se faz o amor
Contigo.
Ribeira de Pena, 20 de Junho de 2015.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://calse.wordpress.com.]
terça-feira, 9 de junho de 2015
Saudação à Beleza
Saúdo a Beleza inteira
A discreta, a ostensiva, a selecta
A plebeia, a exuberante, a matreira
A sincera, a inconstante, a
rotineira!
Saúdo a Beleza permanente
E a pontual, a imanente, a natural
A doce, a amarga, a diligente
A olímpica, a terrena, a sideral!
Saúdo as mulheres que são, passando,
De cada dia a natural razão
Saúdo, entre olhares, quem vou
olhando
E alguns vestidos curtos no Verão!
Saúdo cada rio e cada foz
Cada mar, cada praia, cada flor
Saúdo o teu sorriso, a tua voz
Saúdo o teu amor, o meu amor!
Vila
Real, 06 de Junho de 2015.
Joaquim
Jorge Carvalho
[A imagem é de uma cena de Shakespeare in Love, com a divina Gwyneth Paltrow. Com a(s) devida(s) vénia(s).]
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