Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

segunda-feira, 11 de março de 2013

Versos à roda de Thoreau & Camões


Parece menos finito o tempo quando há tempo.

Assim andava Pedro na caça em vez
De, na cama ou nos jardins, amar Inês.

Temei ora vós de Pedro a igual dor
Se muito adiais o urgente amor

E não chega muito amar (ou força, ou jeito)
Que mais fica por fazer que o amor feito.

Ribeira de Pena, 11 de Março de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (túmulo de D. Pedro) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.lobodaestepe.com.]

sábado, 9 de março de 2013

Esperar o Verão, se houver

Levanto-me e sinto nos ossos o mesmo frio de ontem. Espreito a rua fronteira: chuva.
Cansa esta meteorologia austera. Desejo profundamente o sol. Mais: desejo profundamente o Verão, esse devir que já mereço, talvez, após tanta tristeza calendária.
Tenho muitas saudades das manhãs muito claras. Do calor excessivo que nos desperta as sedes e as gulas de víveres e amores. Da música alegre e das mangas arregaçadas. Dos vestidos leves e curtos que, em hipermercados e centros comerciais, sugerem nudezes secretas e próximas. Das múltiplas cores que os dias oferecem, como feiras gaiteiras, para ver e ser. Tenho muitas saudades do Verão.
Tem sido um tempo difícil, este tempo anterior ao Sol.
A minha biografia está sujeita aos ditames indignos da mercearia. Sou, como tantos contemporâneos amáveis, obrigado a aturar, a troco de euros funcionários, a mediocridade governante; os maus modos dos poderosos contextuais (que me exigem obediência ou recato); a má gramática de quem (apesar desse furúnculo vergonhoso) fala grosso e demasiado para cima de mim; a perda de esperança que testemunho nos cafés, nas ruas, nas escolas, nas casas dos portugueses; o desconforto de (ter de) conviver com merda em vez de inteligência e sensibilidade; a pena de os meus alunos terem futuro sem Verão; a dor de a cultura e a arte estarem (por toda a parte, meu Deus, por toda a parte!) às mãos de compadrios partidários e paroquiais; a tortura de o Inverno ter talvez aqui ficado para sempre.

O Verão, senhores. Estou só à espera do Verão.


Ribeira de Pena, 09 de Março de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (da formosa série "Verão Azul") foi colhida - com a devida vénia - em http://www.portugalseries.net.]

terça-feira, 5 de março de 2013

Nós no progresso

No mui lindo Verão de 1983, eu trabalhei durante dois meses na Fábrica Estaco, em Coimbra. O dinheiro ganho serviu-me para comprar um Austin Mini e alguma livraria barata. Isto foi há muitos séculos, claro. Entretanto, morreu a Fábrica e esse Verão tão lindo.
Lembrei-me agora de que, por essa altura, na Estaco, havia uma série de trabalhadores italianos que por ali andavam, amáveis e ruidosos, orientando a instalação de novas e sofisticadas máquinas industriais. O Borges (um operário que tinha o que, então, me parecia muita idade, sendo que essa idade não ultrapassaria os quarenta anos!), olhando para os estrangeiros, franziu o seu bigode d’Ançã e disse para o pessoal da noite:
- Aquilo faz para aí o trabalho de uns vinte homens. Qualquer dia não temos trabalho…
Sucede que o Borges tinha razão.
Não me parece pacífica a ideia, vista daqui da varanda do século XXI, de que as novas tecnologias são boas para a humanidade. A fome persiste. Muitos não têm casa. A guerra desenvolve-se mais depressa que a paz. O Tempo, em vez de crescer, morre de desgaste rápido.
Vale a pena, julgo eu, ó contemporâneos, discutir este assunto…

Arco de Baúlhe, 05 de Março de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.lugaresesquecidos.com.]

sábado, 2 de março de 2013

Basta





Percorri, hoje, ruas da eterna Coimbra, junto a muitos contemporâneos cúmplices, uns desconhecidos, outros conhecidos, outros muito próximos, cantando Zeca vila morena, gritando que está na hora, que o povo unido, que onde não há pão não há sossego, que basta.
Bem sei que, apesar de tudo, éramos todos, naquela união momentânea, uma espécie de ilhas, quero dizer: cérebros e corações diferentes, gente com opiniões díspares sobre diagnóstico e receitas. Sei bem. Estávamos nesse lugar a que poderíamos chamar, na retórica de Régio, o lugar de apenas sabermos que não vamos por aí. De não sabermos ainda, talvez, por onde vamos, para onde vamos. Mas, lembro eu, a revolução de Abril também foi assim, não foi?, com toda a gente a cantar a mesma gaivota e a votar em quinze partidos diferentes. Sabe-se lá, digo eu, se não está por aí a nascer outra madrugada limpa que dure mais dez ou quinze anos lindos...
Um senhor de uns cinquenta anos lembrava a um jovem (talvez familiar) que "os gajos foram para o governo com um programa e estão a fazer tudo ao contrário". Foi, para mim, o discurso mais lúcido da tarde. Esse e um outro que, sob a forma de canção, ajudei a interpretar num coro emocionante, ali pela rua Ferreira Borges, com a MP, a VL, a Graça, a Isabel, a Guida, a Mité, milhares de avulsas vozes: "O povo é quem mais ordena / Dentro de ti ó cidade!"
Anoiteceu, como tinha de ser. Doem-me agora os braços de ter carregado, sempre bem alto, aquela indignação com que acordo e adormeço há muito tempo: Basta.
E, deixai que vo-lo diga, soa-me muito bem, neste contexto d'hoje, essa honesta palavra: Basta! Basta! Basta!

Coimbra, 02 de Março de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[Fotos VL.]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Adiamento escrito no interior da gazela


O Tempo-leopardo tem fome de  mim
(Sou frágil ágil hábil gazela)
Escondo-me ou corro fugindo do fim
(Tão perigosa a selva, apesar de bela!)

Arco de Baúlhe, 22 de Fevereiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.animais.culturamix.com.]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Presente (à moda de S. Valentim)




























Vê na rosa dada, meu amor,
A ilusão de nada nos morrer.
E ilude, como possas, essa dor
De até a nossa rosa envelhecer.

Arco de Baúlhe, 15 de Fevereiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A primeira imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.pobresericos.blogspot.com. A segunda  imagem é do famoso Cascão, personagem inventada pelo genial Maurício de Sousa.]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Pouca terra


Desculpai os silvos à chegada e à partida –
Assim saúdo o encontro e a despedida.
Sou este comboio regional
Atravessando o Mundo via Portugal
Parando em todos os apeadeiros e estações
Para saírem-entrarem pessoas, ilusões
Lugares, sensações re-novidades
Amores que são, que foram, saudades.

Sou um trem antigo, dorido e terno
Com alma de verão, cara de inverno
Isto é, Estação Velha dos instantes
Suma ferrovia de amores viajantes.

Desculpai os silvos de passagem –
Sou eu. O comboio. A viagem.

Coimbra, 11 de Fevereiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (Coimbra B, i.e., Estação Velha) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.arturportugal.wordpress.]

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ódio



Odeio, sem vestígio de piedade cristã, a hipocrisia e o cinismo de muitos políticos.
Odeio a desumanidade de alguns comentadores, de quase todos os banqueiros e de muitos taxistas.
Odeio a deslealdade e a mentira de colegas e conhecidos.
Odeio a ignorância e a estupidez de insectos e vermes com a mania de que são importantes.
Mas, hoje, odeio sobretudo um filho da puta que, entre o Arco e Cavez, pelas seis e meia da tarde de ontem, me ia matando, por conduzir doidamente na direcção contrária à que eu humildemente levava. Um porco, uma besta quadrada, um anormal com carro, que se deu o direito de ultrapassar numa zona de traço contínuo, a uma velocidade três vezes superior ao permitido por lei e que por pouco me riscava do mundo dos vivos. Imagino-o numa tasca qualquer vangloriando-se do tempo espantosamente curto que fez entre um lugar qualquer de origem e outro lugar qualquer de destino - e, em contraponto, vislumbro a minha Mãe, a VL, a MP a receberem, ontem, pelas sete da tarde, a notícia da minha morte.
Odeio-te, ó porco da estrada, ó besta quadrada do volante, ó anormal das ultrapassagens, ó filho da puta!

Arco de Baúlhe, 08 de Fevereiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho

[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.globoesporte.globo.com.]

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lua nossa


Ando a ler com os meus alunos do 8.ºC1, desde há semana e meia, A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez. É um belo livrinho, este, que traz para a narrativa o complexo e essencialmente misterioso mundo dos adolescentes.
A aula começou com gramática e foi difícil captar-lhes, então, a concentração necessária. Guardei aquele docinho da leitura só para o fim e, uma vez mais (aleluia!), vi acontecer o milagre consabido de uma história sendo contada/ouvida. Isto: um manto de silêncio generoso e produtivo cai docemente sobre nós e por alguns capítulos há o aconchego único de estarmos viajando, juntos, por mundos novos e mágicos e queridos e necessários.
A campainha trouxe a (outra) realidade, subitamente. Mas já ninguém nos tira esse cúmplice prazer que foi irmos, juntos, à lua. Aliás: que é irmos, juntos, à lua.

Arco de Baúlhe, hora d'almoço, 07 de Fevereiro de 2013.-
Joaquim Jorge Carvalho

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lapsos de lida


1. Tolentino Mendonça, um excelente poeta português, conterrâneo da MP, foi entrevistado, há uns três dias, por Carlos Vaz Marques, na TSF. Disse, sobre a poesia (e, digo eu, a literatura em geral), que a escrita é uma espécie de lente que aumenta, em pormenores essenciais, o mundo e a vida - para vermos, vida e mundo, melhor.

2. Na noite de sábado para domingo, estive com muita febre. E sonhei doidamente, como sempre me acontece nestes casos. Desta vez, era um cortejo de cegos que me queriam tocar na cara, nos olhos, no cabelo. E, a cada toque, dava-se que eu via melhor o rio e as árvores, enquanto voava sobre o largo da Portagem, em Coimbra.

3. Dou-me mal com a deslealdade, a brutidade, a rudeza. Quando sou vítima, à traição, de uma qualquer besta, acordam-se-me as vísceras mais primárias - e apetece-me ser eu próprio bruto, mau. Desleal é que não, porque só sou capaz de agir ruidosamente, às claras. Se aqui estivesse o meu amigo Padre Manuel, de Ançã, dir-me-ia decerto que a fúria não é para levar a sério. Que a desilusão (e a dor em geral) é só uma oportunidade  para crescermos interiormente. Silêncio, pois - para o coração crescer.

4. Uma aluna disse, na aula de Português, inesperadamente: "Não gosto nada que haja fim para as coisas." Os colegas riram-se, corrigiram-na: "Ai, não queres o fim das coisas más?" Ela reformulou a sua descoberta: ""Não gosto que haja fim para as coisas boas." Eu participei no (espontâneo) debate e confessei: "Ando a escrever, há já mais de quarenta anos, sobre isso!"

5. Passo por colegas que, no intervalo, fumam ao portão e provoco-as: "Fumar mata." Sorriem-me piedosamente e eu prossigo, ladeira acima. Reflicto: fumar mata, sim. Mas todos os verbos matam: trabalhar, correr, sonhar, amar, falar, saber, esperar. Matam todos. Até viver.

Arco de Baúlhe, 31 de Janeiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho

[A imagem foi colhida, com adevida vénia, em http://www.anatomias.mediasmile.net.]

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gianni Rodari ao telefone



Descobri, há uns vinte anos, um escritor italiano chamado Gianni Rodari. Andava pelas prateleiras de uma livraria em Coimbra, à cata de autores e títulos que me despertassem a curiosidade e dei de caras com um título original: Histórias ao telefone (título original: Favole al Telefono). De pé, junto da estante, li um pequeno conto do volume com o nome “O caçador desafortunado”. A história era a de um caçador cuja espingarda se recusava, de certo modo, a funcionar. Melhor: era a história de uma espingarda que, em vez de matar, divertia e, portanto, em vez de fazer vítimas, antes lhes provocava alívio e as fazia rir.

O autor explicava que as histórias tinham sido fabricadas por um caixeiro-viajante (o senhor Bianchi, da cidade de Varese), o qual, em obediência a um pedido da filha, arranjava sempre uma fábula para cada noite. Como estava muitas vezes ausente em viagem, o homem recorria frequentemente ao telefone…

Comprei o livrinho, claro. E, já em casa, deliciei-me com outras pequenas e extraordinárias narrativas: “O palácio de sorvete”; “O passeio de um distraído”; “A casa de estragar”; “A mulherzinha que contava os espirros”; “O país sem ponta”; “O des-país”; “Os homens de manteiga”; “Alice Trambolhona”; “A estrada de chocolate”; “A inventar números”; “Brif, bruf, bruf”; “A compra da cidade de Estocolmo”; “Para tocar no nariz do rei”; “A famosa chuva de Piombolino”; “O carrocel de Cesanatico”; “Na praia de Óstia”; “O rato da banda desenhada”; “História do reino de Comilónia”; “Alice cai ao mar”; “A guerra dos sinos”; “Uma violeta no Pólo Norte”; “O jovem caranguejo”; “Os cabelos do gigante”; “O nariz desertor”; “A estrada para lado nenhum”; “O espantalho”; “A brincar com a bengala”; “Velhos provérbios”; “Apolónia das compotas”; “A velha tia Ada”; “O sol e a nuvem”; “O rei condenado à morte”; “O mágico dos cometas”.

Naturalmente, cada uma destas histórias não tem mais de duas-três páginas. O próprio autor o explica, naquela espécie de introdução em que se fala do senhor Bianchi: tratando-se de narrativas transmitidas “ao telefone”, nunca poderiam ser relatos muito extensos…

Ao longo dos anos seguintes, em muitas ocasiões, dei a conhecer estas histórias aos meus alunos. A minha mulher, que também é professora de Português, fê-lo igualmente. E não me lembro de um só leitor que, no final de cada leitura, não se tenha deixado seduzir pelo modo engraçado e inteligente de contar histórias que caracteriza a literatura de Gianni Rodari.

No livro Histórias ao telefone, que recomendo aos leitores com fome de fantasia, há lugar para o humor e para a diversão – mas também para brilhantes notas poéticas que nos deixam a pensar, comovidos e encantados. Ofereço-vos, já agora, um formoso passo que encontrarão nas páginas 33-34, no final de uma história intitulada “A inventar números”: 

«- Quanto pesa uma lágrima?

- Depende: a lágrima de um menino mimado pesa menos que o vento, a de um menino esfomeado pesa mais que toda a Terra.»
(Histórias ao Telefone, de Gianni Rodari, Lisboa, Editorial Teorema, 1987.)
 
Arco de Baúlhe, 25 de Janeiro de 2013.
Joaquim JOrge Carvalho

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Janela da cozinha (natureza morta)


Meu amor, não viste
(Redonda, encarnada)
Essa maçã triste
Na tarde parada?

E da nossa janela
(Bem brilhando, linda)
A neve singela
Tão branquinha ainda?

Já nos morre o dia
(Mas, hoje, amor) não
Me apetecia
A escuridão!

Ribeira de Pena, 23 de Janeiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto de José Ferra, colhida - com a devida vénia - em http://www.tvi24.iol.pt.]

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sombra

Vão rareando as crianças no interior de Portugal. A coisa é física e simbólica: num lugar mais profundo do território de nós (não exactamente o mesmo que nosso território), há um vazio seco em vez de uma fresca possibilidade.
Fui de minha casa ao Café, algures durante a tarde, e só vi gente antiga. Eu próprio, que sou hoje mais anoitecer que amanhecer, parecia um dos mais novos por ali em trânsito.
De modo que é assim - que é isto: uma sombra (física e simbólica) caindo sobre Portugal. Sobre mim. Sobre nós.

Ribeira de Pena, 20 de Janeiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho

sábado, 12 de janeiro de 2013

Quadra (quase perdida) de Julho passado

O maior perigo
É cada Verão ser
O último comigo
A ver.

Coimbra, 22 de Julho de 2012.
Joaquim Jorge Carvalho
[Texto resgatado do verso de um ticket de estacionamento.]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Bichos, de Miguel Torga

Leitores ao espelho de si próprios


Miguel Torga é um dos grandes escritores portugueses de sempre. Cultivou vários modos literários – drama, poesia, ensaio, diarística, narrativa.
No território da narrativa, embora também tenha escrito romances, foi talvez no género conto que o seu génio mais se notou. Contos da Montanha, Novos Contos da Montanha e Bichos são volumes que têm encantado sucessivas gerações de leitores e que não cessam de surpreender pela riqueza das histórias narradas (fundadas na experiência pessoal do autor e numa extraordinária imaginação e competência literária) e pelas lições de vida compreendidas em cada conto.
Só aparentemente as histórias se reduzem ao domínio da fábula tradicional. Embora, na maior parte dos casos, encontremos animais como protagonistas, a verdade é que todos os contos estão carregados de uma humanidade próxima e facilmente reconhecível. As emoções de Nero (um cão) ou de Tenório (um galo); as peripécias de um burro ou de um pardal; a teimosia e coragem do corvo Vicente ou o ímpeto inevitável de uma cigarra cantadora – tudo é, afinal, um mundo simbólico que profundamente retrata ou evoca a vida humana, uma sociedade cheia de alegrias e tristezas, sonhos e medos, fúrias e amores.
Acontece-me com Bichos o que me acontece com grandes obras de arte – filmes, pinturas, música, grande arquitetura, literatura: de cada vez que nos encontramos (eu e a obra de arte), dá-se o milagre da novidade. E o milagre, a cada leitura (a cada encontro), renova-se.
Bichos é, de facto, um grande, grande livro da literatura portuguesa!


Arco de Baúlhe, 10 de janeiro de 2013.
Joaquim Jorge Carvalho
[Texto elaborado para a Biblioteca da minha Escola, no âmbito da promoção da leitura.]