Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eternidade é um planeta dentro do coração


Tenho sete anos e driblo, no campo de recreio da Escola do Casal Ferrão, mil colegas, uma árvore, o Tempo. A Dona Angélica vem à porta da sala do rés-do-chão e ordena-nos o regresso à aula. Voltamos ofegantes, com uma ou outra bata suja de erva ou de terra, os sapatos gloriosamente feridos de remates na bola ou no chão. Lá dentro há geografia, aritmética, ditados e histórias em língua portuguesa. O Jaime gosta da Manuela João, a Manuela João gosta de mim, eu gosto da Beatriz, a Beatriz tem olhos azuis e é a mehor amiga da Manuela João. À noite, dá um jogo do Sporting na rádio a contar para a Taça Uefa. Antes de adormecer, tenho de fazer uma cópia que começa assim: "Portugal é grande."
Na manhã seguinte, o dia começa com música radiofónica, cheiro a café com leite e a pão torrado, o meu pai cantando "Não venhas tarde", o cão atrapalhando a nossa pressa, a casa cheia da quotidiana azáfama que não se interromperá senão no sábado.
No próximo sábado vamos a Leiria ver o União de cá contra a União de lá. A tia de Leiria oferece-nos almoço e o tio Zé Melo já pediu dispensa do trabalho para nos acompanhar.
Tenho sete anos e, por esta altura, a eternidade existe. É um planeta meu.

Ribeira de Pena, 04 de Janeiro de 2012.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.forumcoimbra.com.]

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Triunfo dos tais


Cumprindo o seu Plano Nacional de Leitura, os meus alunos terminaram hoje a leitura integral da primeira obra do ano lectivo de 2011-2012: O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, romance concluído em 1943. Sabe-se que o autor tinha em mente, sobretudo, as perversões do estalinismo, um ismo vendido pelo marketing soviético como Felicidace maiúscula, mas que veio afinal a ser (mais) uma indignidade dos homens contra os homens. A revisitação do texto, em voz alta, trouxe-me novas (e actualizadas) analogias que ora me atrevo, neste cantinho de liberdade que é o "Muito Mar", a partilhar convosco.
Tomai, por exemplo, este excerto, que reporta a avaliação de alguns humanos, em visita à Quinta onde, para além de não haver liberdade, os trabalhadores vivem cada vez pior e são obrigados a trabalhar cada vez mais. O senhor Pilkington, em discurso indirecto livre, verbaliza a opinião geral(Cf. George Orwell, O Triunfo dos Porcos, trad. de Madalena Esteves, Lisboa, Publicações Europa-América, 2005, pp.121-122.):
Hoje, ele e os seus amigos tinham visitado a Quinta dos Animais e inspeccionado cada centímetro dela com os seus próprios olhos. E o que é que tinham encontrado? Não só os mais modernos métodos, mas uma disciplina e uma ordem que deveriam servir de exemplo a todos os agricultores em toda a parte. Acreditava estar certo ao afirmar que os animais inferiores da Quinta dos Animais trabalhavam mais e recebiam menos comida do que qualquer outro animal da região. Na verdade, ele e os outros visitantes tinham observado ali muitas medidas que tencionavam introduzir imediatamente nas suas próprias quintas.


Escuso de esmiuçar exegeticamente o texto, tão cristalina é a sua mensagem tro(i)kada por contextos d'hoje. Mas não resisto a recordar parte do último capítulo, justificadamente célebre e recorrentemente recordado (cf. ob. cit., p. 124):
Não havia agora dúvidas sobre o que estava a acontecer às caras dos porcos. Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem.


Irmãos, agora nós: quem é quem?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Coimbra (fading out)


E agora, homem, que hás-de fazer
Senão continuar
Senão meter o pescoço no jogo diário
Das carroças dos outros
E puxar fazer pela vida?
[Fazer pela vida é andar pelo mar a adiar as ondas.]

E agora, ó escravo, que dirás
Sobre o programado
Senão a versão funcionária da tutela
Que te utili(mini)miza
E te vai pagando as contas?
[A tutela é uma tela em que tu és uma sílaba a mais.]

E agora, Joaquim, que quererás dos dias
Senão os restos
Senão a tarde-noite dos silêncios
E um quarto a fingir de praia
Ou a mão do amor interrompendo o caos?
[O caos é este muro sujo entre mim e a poesia.]

Coimbra, 02 de Dezembro de 2012.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto VLOSC (com recurso a temporizador).]

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sabor com sol dentro


"Já viste a quantidade de sol que há dentro de uma laranja?" (Bernardo Santareno, Restos.)
Estive muito doente durante quatro dias. Virose lhe chamou a médica que me atendeu, ao segundo dia de sofrimento. Com a medicação não se resolveu logo o assunto porque, por um lado, perco absolutamente o apetite e, por outro, o meu frágil organismo não suporta comprimidos sem se encontrar devidamente alimentado. À febre, ao frio, às horríveis dores de estômago, à quase vontade de morrer - sucedeu finalmente a espantosa ressurreição de mim inteiro: com forças para me levantar, com ganas de rir, com vontade - enfim - de comer.
Aconteceu-me, durante o tempo da tortura, ter desejos talvez comparáveis aos das mulheres grávidas. Apeteceu-me, por exemplo, sumo de ananás ou laranja, chocolate, alguns frutos (cozidos ou crus). Deixai-me destacar a clementina.
Num intervalo do meu silêncio sofrido, pedi à MP isso mesmo: uma clementina. Ela desaconselhou-me a ideia. Expliquei-lhe que era apenas para ter, durante alguns segundos, um pouco desse sumo maravilhoso entre os lábios. Ela concedeu. E, durante uma inteira noite, eu beneficiei da vizinhança de uma clementina, ali sobre a mesa-de-cabeceira, como um sol saudável iluminando e aconchegando a minha fragilidade mortal.
Quando melhorei, enfim, devorei-a. E é esse momento divino (no sentido verdadeiramente religioso de "divino") que justifica esta crónica, a primeira de 2012. Tão fácil se torna perceber, na euforia do regresso ao mundo dos vivos, que os maiores prazeres podem ser simples e naturais. Enquanto o corpo e o sumo do fruto me invadiam boca, garganta, sangue, ocorreu-me que da vida deve apetecer-nos, essencialmente, que tenha o sabor luminoso da clementina.

PS: O meu sogro, Mestre João, faria hoje 80 anos, se fosse vivo. Esta crónica é-lhe (mais uma vez) dedicada.

Coimbra, 01 de Janeiro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.ervanariasaudenatural.blogspot.com.]

sábado, 31 de dezembro de 2011

Muito Mar para 2012


Este blogue nasceu durante o ano em que fui abençoado com uma licença sabática. Pude dedicar-me a cem por cento ao estudo e à escrita, como um daqueles sábios antigos que os reis (ou alguns nobres) sustentavam. Foi um tempo glorioso que nunca poderei esquecer e não deixo de agradecer à Fortuna.
O "Muito Mar" serviu-me, de início, apenas para desabafar, assim temperando de convívio e partilha aquela solidão medieval em que (gratamente) residi no dito ano sabático.
Mas depois tornou-se numa espécie de casa (corrijo: Casa) onde me sinto bem. Esta espécie de dever auto-imposto obriga-me ao exercício higiénico da crítica, da reflexão, do comentário - e é também um precioso meio de divulgação da minha literatura minha. Da minha literatura nossa. Da minha literatura vossa. Da nossa literatura nossa.
No final do 2011, quero agradecer aos leitores do Muito Mar as tantas visitas com que honraram este espaço. Em boa verdade, o número de cúmplices desta marinhagem tem excedido as melhores expectativas. Obrigado!
O ano de 2011 foi um ano importante da minha vida - entre outros aspectos (positivos e negativos, com mortes e nascimentos essenciais), houve esse dia 25 de Julho em que defendi, na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, a minha tese de doutoramento em Literatura Portuguesa. Antes de rumar à Universidade, passei pela casa da mãe, como mentalmente faço a todas as horas e pedi à MP que registasse fotograficamente o encontro. (A minha mãe, assim que eu saí, deve ter acendido uma vela a Nossa Senhora, como faz sempre que as suas crias mais precisam.)
Queridas amigas, queridos amigos:
Espero continuar a ter-vos comigo (aliás, com o nosso Mar) no próximo ano.
Abraço - para todos - do tamanho do Sol!

Coimbra, 31 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto MPC.]

Depressão (talvez) pedagógica


Electricidade de Portugal, isto é…
- Ó Asdrúbal, parece que o governo vendeu a EDP…
- E então? Fez o que os portugueses fazem há muito tempo…
- O quê?
- Como está sem dinheiro, foi aos chineses.

Fábula miserável
O burro, bispo da situação, dizia:
- É inevitável, irmãos.
E os outros burros baixavam o focinho e aceitavam a nova dose de sacrifícios.
Mas, a cada nova notícia de miséria redobrada, os burros estremeciam e, de vez em quando, faziam menção de protestar.
O burro-mor apercebeu-se, certo dia, da real iminência de uma insurreição e, mal controlando a ira, falou-lhes da ausência de alternativas e de exemplares castigos para os revoltosos (a começar pela excomunhão), prometendo-lhes, pela enésima vez, um futuro feliz, fundado na obediência cega e na zurração. E nessa hora mesma o líder asinino quis saber se estavam todos consigo.
Temerosos, os burros lá lhe disseram que sim.
Menos alterado, o bispo da situação concluiu o encontro com os cascos dianteiros erguidos para os céus:
- Então… zurremos, irmãos.

A questão da esperança
Pode roubar-se a um povo, oficialmente “em nome do povo”, o direito ao emprego, o direito à saúde, o direito à educação, o direito à justiça. Pode roubar-se a um povo, oficialmente “em nome do povo”, o salário, a segurança, os transportes, até a televisão.
Mas, no final de 2011, chegou-se ao extremo de se roubar a um povo, oficialmente “em nome do povo”, a esperança. Ora, sem esperança, o que se segue é, em primeiro lugar, uma espécie de torpor que se confunde com desistência. Depois, virá o caos e o apocalipse.
Não é preciso ser astrólogo para perceber a pertinência desta amarga profecia. A mim basta-me, por exemplo, ouvir a conversa de três quarentões (um deles, desempregado), encostados a um muro degradado que, em tempos mais luminosos, separava a estrada da magnífica fábrica da “Triunfo”, em Coimbra.
Não se pode roubar, a um povo, a esperança e esperar que tudo fique na mesma.

Coimbra, 31 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (da antiga fábrica Triunfo) foi colhida, com a devida vénia, em http://expub.wordpress.com.]

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Exortação para homens e mulheres


Guardai o odor dos malmequeres
Agradai à vossa amada gente
Amai homens ou mulheres
Gozai o Presente.

Coimbra, 28 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto VLOSC]

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Para saber da vida (cf. Gasset)


Um homem sabe do tempo, amor, apenas
O seu próprio tempo
Vivido.
Eu exemplarmente sei da Primavera
Porque vi ressurreições de fauna flora
Cores na minha rua.
E exemplarmente sei do Outono
Porque vi morrerem as folhas os frutos
A luz da minha rua.
Não sei mais do que isto sobre o tempo
(sobre tudo)
Porque é preciso, amor, viver para saber
Da vida.
O tamanho do que sei é a minha rua.
O que sei do tempo, amor, é o meu tempo.
O meu tempo sou eu na minha rua.

Coimbra, 26 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto JJC, 2011.)

Soneto de uma folha passando pelo Natal


Do Natal que vinha-veio-desaparece
Hei-de um dia ter saudades, ao contrário
Do Natal que ora, ao perto, me parece
Um fatal quase fardo calendário.

Que Natal é a Mãe viva ainda, o lar
Semelhante ao berço d'antes, imortal -
É uma mesa grande a recordar
Fantasmas de outra mesa quase igual.

Eu sou folha só no Tempo em voo brando
Soprada a brisa bruta ou mais leve
(A minha biografia é ir passando) -

Olho às vezes para trás como se deve
Fazer a meio do voo - e é quando
Sei de Natal (ou Vida) que é tão breve.


Coimbra, 25 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://meme.yahoo.com.]

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas


Aos meus Amigos, às minhas Amigas,

peço desculpa por esta mensagem estar ferida da imperfeição que é ser escrita para muita gente ao mesmo tempo, não obstante cada amiga e cada amigo serem, pela própria natureza da Amizade, únicos. Perdoai.

Perdoai igualmente as falhas de que, ao longo do ano (ao longo da Vida), sou culpado: nem sempre estar imediatamente pronto para vós, nem sempre ter tempo para vós, nem sempre vos dispensar a atenção que, por definição, um amigo merece. Sou humano, também no pior sentido, isto é, com falhas muitas, falhas tantas.

Mas não me esqueço de vós - e, na maioria dos casos, ainda terei tempo (espero) para esta frase se tornar absolutamente indiscutível.

Desejo-vos boas festas e espero que, juntos, possamos resistir às dificuldades que o futuro inevitavelmente nos trará.

Saúde & Sorte, Amigas, Amigos!


Coimbra, 23 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (Charlie Brown e amigos) foi colhida, com a devida vénia, de Peanuts, de Charles M. Schulz.]

Metáforas para quê (Arte Poética)


Metáforas porquê, para quê, perguntas
No devir de leituras à hora do café.
Respondo-te como sei, afinal repetindo
O que já há séculos
(hipérbole catacrética)

Te venho afirmando em verso e prosa:
Metáforas por não saber, amor, da linguagem
O bastante para dizer quanto queremos
Ou por sentir o insuportável excesso do por-dizer
(Face, amor, aos limites do código que nos deram).

E vê que o mesmo explica talvez a poesia em geral
Ou a narrativa em seus vários rostos
Ou a rima e os rimos das palavras entrebeijando-se
(E o iô-iô de brilhos e de sentidos nelas, delas).
Vê ainda que a ideia de metáfora atravessa a pintura
E a escultura, e outras artes
(Exceptua a Música que é uma coisa maior -
Uma espécie de verdadeiro Deus universal
Acima d'isto tudo que ora digo).


A metáfora, amor, é uma arma
Contra (digamos assim) a falta de linguagem essencial.

O poeta, amor, usa (assim digamos) a metáfora
Em legítima defesa.

Coimbra, 23 de dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho.
[A imagem (Cesário Verde, por que motivo não?) foi colhida, com a devida vénia, na wikipedia.]

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

La durée (versão optimista)


Tenho, em cada poro, em cada lapso de real visto, em cada transeunte, uma oferta da vida como ela (me) é. A verdade chega-nos mais nítida à medida que vamos ficando antigos: é, senhoras & senhores, isto. É o que nos é dado alcançar com os dedos ou os olhos: árvores, amores, amigos, ruas (conhecidas ou não), telefonemas, emails, um certo livro certo (novo Vargas Llosa por estes dias), uma crónica de Pina no JN, um poema no canil do Daniel Abrunheiro, um golo do Sporting (Carrillo, de cabeça - eia!), uma promessa a mim próprio, uma efeméride (boa ou má), um excesso de sangue por desaguar à passagem de Gwyneth Paltrow.
Caminho por Coimbra, ao entardecer, com fingida pressa, apenas para não destoar dos passos azafamados de conterrâneos com hora marcada para algum dever. Num Café, junto à rodoviária, tomo um café e saboreio um um pastel de Tentúgal, mas do que me alimento mais é desta coisa imprecisa, porém física, chamada hoje.
Café, pastel de Tentúgal, dia: sabe-me tudo tão bem!

Coimbra, 22 de dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (avenida Fernão de Magalhães, foto antiga) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.forumcoimbra.com.]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um Camilo em seu convencional deserto



Uma criatura com ares de doutor em economia, de fraca figura e de frágil gramática, anda há uns anos a falar das finanças portuguesas na televisão por cabo e, de quando em vez, na TVI e no Diário Económico. Chama-se Camilo Lourenço e, entre muitos clichês (que não desmereceriam o mais caceteiro dos taxistas do aeroporto), deu agora em opinar sobre o que manifestamente desconhece - professores, avaliação, sindicalistas. Ora, um ignorante com tempo de antena, num país de pacóvios, pode bem tornar-se numa espécie de guru dos tristes. E, hélas, tal sucedeu!
O seu mais recente arroto opinativo foi sobre Mário Nogueira e o facto de este decano sindicalista ter sido avaliado, enquanto professor "de carreira", com a classificação de "Bom". O escândalo, na peixeirada enunciatória do senhor Lourenço, estava na circunstância de Mário Nogueira não dar aulas há 21 anos. Se o pobre plumitivo se tivesse instruído um pouco mais acerca do assunto, correria menos riscos de dizer as baboseiras que diz...
A avaliação de um sindicalista, que se mantém "professor" porque essa é a sua profissão, faz-se nos termos aceitáveis que o seu labor específico, em cada circunstância, determina. O mesmo se passa, afinal, com professores avaliadores, professores formadores, professores com funções de gestão, etc.
Já me parece mais estranha a sua aversão (também cultivada, por exemplo, por Sócrates e por Passos Coelho) ao sindicalismo tout court (e Lourenço fala mesmo de quem anda "naquela vida"). Tresanda a saudosismo salazarento, ó Camilinho!
Qualquer português sem preconceitos percebe esta verdade óbvia: se o Mário Nogueira "lhes" provoca tantos pruridos, é porque o sindicalista está a fazer bem a sua função. E eu, que nunca fui da sua cor partidária, admiro neste homem a seriedade, a coerência, a coragem - e a paciência (mais cristã, até, que marxista) com os camilóides desta vida...
Um abraço (e um cravo vermelho) para Mário Nogueira!

Coimbra, 21 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.pracadarepublicaembeja.net.]

Nobre Povo


O governo português (supostamente formado por portugueses) quer pôr os portugueses a emigrar. A Troika (que não quer senão garantir os Euros dos portugueses) quer que governo e patrões portugueses despeçam os trabalhadores portugueses. Alguns portugueses, intoxicados por governantes portugueses (de Sócrates a Passos Coelho) e por loquazes plumitivos portugueses (de Sousa Tavares a Pereira Coutinho), vão defendendo, de modo directo ou indirecto, o ataque ao funcionalismo público - portugueses ao serviço de portugueses - como panaceia (ou vingança) para os problemas dos portugueses.
Os próximos capítulos prometem.

Coimbra, 21 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.essps.pt]

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Anedota com Freud e aliterações (tudo inventado)


Em Viena, em velha casa de passe
Enfrentou Freud frígida fraulein
E embora herr Sigmund se esforçasse
Por acordar na liben Grafstein
A líbido perdida (e a infância) -
Não pôde nela encontrar o homem
O frémito frenético (essa ânsia
de fomes que se comem ou nos comem).

Ribeira de Pena, 19 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (uma pintura de Claude Monet, datada de 1868 e intitulada "La rivière") foi colhida - com a devida vénia - em http:www.artfindig.com.]