Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Anedota com Freud e aliterações (tudo inventado)


Em Viena, em velha casa de passe
Enfrentou Freud frígida fraulein
E embora herr Sigmund se esforçasse
Por acordar na liben Grafstein
A líbido perdida (e a infância) -
Não pôde nela encontrar o homem
O frémito frenético (essa ânsia
de fomes que se comem ou nos comem).

Ribeira de Pena, 19 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (uma pintura de Claude Monet, datada de 1868 e intitulada "La rivière") foi colhida - com a devida vénia - em http:www.artfindig.com.]

domingo, 18 de dezembro de 2011

Versos sobre a eterna idade


Amo muito as pessoas que amo
(Não há, creio, outra forma de amar senão esta
Com o advérbio muito sempre vizinho do verbo –
E nenhum problema vejo nessa intensa condição amatória)
Mas amo excessivamente as pessoas que amo mais
Que todas
E sangro todos os dias de mais pelo excesso de saudades
De elas não estarem fisicamente ao pé de mim amando-as.

Todos os dias é como se morresse por temer que se vão.
Todos os segundos, incluindo os dos meus frágeis sonos, doem.
Morro antes de morrer por não suportar a ideia de Fim um dia
(Conhecendo contudo essa fatalidade insuportável de haver fim:
O meu pai, o José Manuel, o Mestre João, a minha infância)
E quase me apetece a morte para não a sentir mais, isto é
Para, morrendo, haver enfim a morte da morte, isto é
O amor simplesmente, que era o meu destino verdadeiro
Antes de o mundo se complicar tanto, se sujar tanto, se estragar
Tanto.

Era uma vez o meu pai a cantar uma música do tony de matos
E a minha mãe a chegar da praça com peixe couves fruta pastéis
Um livro (para mim que estou felizmente doente e tenho estes mimos)
E a televisão a começar ao meio-dia com a mais louca corrida do mundo
E ruídos de carros, de vozes (gargalhadas de algum operário da Renault)
E lá fora o cão Dick a ladrar, como sempre, como amanhã decerto, isto é
O tempo repetindo-se igual e simples sem mudanças, sem fim obrigatório.
Era uma vez a Eternidade, aquela certa terna eterna idade.

A verdade do apocalipse chega-me quarenta anos atrasada
Muito outra da catequista sensual do Bairro do Brinca, rapariga
Terna e paciente, que cheirava a flores e gostava da minha escrita
(Os meus primeiros prémios literários foram as suas mãos sobre
O meu cabelo, a sua voz doce elogiando-me, o talvez pecado
Dos seus olhos amarando nos meus, ou vice-versa):
Inferno, mãezinha, é haver morte. E o céu é não bem
O presente, mas aquele tempo em que estivemos já, lembras-te -
Era a nossa Casa antiga, essa concha anti-nuclear que cheirava
A café e a torradas logo pela manhã, a tua voz embalando o Nelo
A Fátima muito loira e bonita com uma bandoleta branca
O Tó sonhando com motos e carros ao lado do pai, e eu
Muito precocemente assustado com a possibilidade de algo mudar
(Eu contra o Tempo, muito antes de perceber que havia inferno),
Mãezinha.

Acordei hoje cheio de saudades e de raiva contra o verbo morrer.
Escrevo como quem diz palavrões e faz figas.
Está um Dezembro frio na avenida da Noruega, em Ribeira de Pena.
A puta da morte que me saia da frente, pá, e me deixe ver ainda
O sol que há!

Ribeira de Pena, 18 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (já utilizada neste Muito Mar em ocasião anterior) reporta alguma tarde na Praia de Mira, aí por 1969.]

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dezembro com Novidade


Tarde de Dezembro, fim do primeiro período de aulas, sala de convívio da minha escola, aí pelas cinco da tarde. Os alunos do Clube de Música (sob direcção do meu competentíssimo colega Vítor Santos) chegam ao palco e, vencidos os primeiros nervos, cantam. No público (em mim), sucede à descontracção uma espécie de aviso de Novidade iminente, algo entre o religioso e um aviso de terramoto da Protecção Civil: canções dos Queen, de Adele, dos Guns & Roses, do Projecto Amália, etc. assaltam-nos ouvidos, inteligência, coração.
Apeteceu-me chorar, em determinado instante. Porque, irmãos, a Beleza pode doer mortalmente - como tão bem se lê na menina Cristina (inventada por Vergílio Ferreira) da Aparição tocando piano ou iluminando apenas com a sua presença as existências à roda.
Murmurei para o lado – para o Dinis, a Cláudia ou o Vitor: “Isto é tão importante, pá. Será que eles sabem disto lá em Lisboa?”
Com “Eles” queria (quero) dizer os governantes, a religião matemático-liberal de muitos governos e ministérios da educação…
Houve, nesta querida tarde de 16 de Dezembro, desde as duas às cinco e meia, um lume bom à volta e por dentro de nós. Eu também já tive professores que, nos anos setenta do século XX, me puseram a cantar, a representar, a declamar, a apresentar festas. A minha escola era a Rainha Santa Isabel, à Pedrulha, e dela me acontece frequentemente ter saudades muitas. Estou agora deste lado (o Presente), no aconchego cúmplice de outros colegas tão professores como se deve ser, versão possível do meu setor Silveira, ou Gouveia, ou da setora Dora. Os olhos contemporâneos dos alunos do Arco são os meus olhos daquele longínquo século XX: estado puro puro puro de alegria e de felicidade.
De modo que, digamos, ser professor é coisa formosa e doce, apesar de tudo quanto de feio e amargo outros nos digam, façam.
Com “outros” quero dizer “eles”.

Ribeira de Pena, 17 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (inspiração provável de Vergílio Ferreira para a personagem Cristina, de Aparição), foi colhida - com a devida vénia - em http://vferreira.no.sapo.pt.]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O que é difícil


Segunda-feira, 12 de Dezembro. Aproveito duas horas de intervalo em afazeres familiares para corrigir testes de Francês, à mesa de um Café sossegado numa rua discreta da Póvoa de Varzim. A empregada observa-me de soslaio. Traz-me um, dois cafés. Eu aponto-sublinho-evidencio erros. Aprovo-felicito-pontuo méritos. Dez, vinte, vinte e cinco testes. Ficam por corrigir algumas composições e lançar na grelha os resultados obtidos pelos meus alunos. Coisa para se concluir, portanto, à noite, talvez à lareira.
Peço ainda uma torrada e um chá. A empregada não resiste à interpelação que talvez lhe estivesse mordendo a língua há muito tempo:
- É professor, não é?
Lá lhe confesso que sim.
E ela:
- Ai, coitadinho!... Imagino o difícil que deve ser corrigir tantos testes.
A réplica sai-me automaticamente, obtemperada por sorriso antigo e triste:
- Difícil é estar desempregado...

Ribeira de Pena, 14 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.precariosinflexiveis.org.]

P'lo olhar


Tantas vezes caio na Rua Tristeza;
Como tantas vezes o pó de mil vidas.
Mas às vezes subo, p’lo olhar, à Beleza
E vale tudo a pena, quedas incluídas.

Ribeira de Pena, 14 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (d'A Insustentável Leveza do Ser, de Kundera/Kaufman) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.biancache.blogspot.com.]

História para o Porvir


Dou-te, vida, a mão e levo-te ao cinema
(Rio-me contigo na penumbra da história)
Cá fora, entre choupos, invento um poema
Que por mim guardas (ou não?) na memória.

Compro-te um gelado se for verão
(Ou um croissant quente no inverno)
Dou-te, talvez tremendo, a minha mão
E falo-te baixinho, grave e terno.

Despeço-me no Arco de Almedina
Logo deixando, ó triste, de existir
(Tão grande é essa força pequenina)...

Até que eu fico, enfim, em vez de ir!
E eis, vida, o mais que há da minha sina
Para contar aos outros no porvir.

Ribeira de Pena, 13 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (de Luzes da Cidade, de Chaplin) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.ochaplin.blogspot.com.]

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vita Brevis


Há das casas a sombra ao entardecer
E sinos repicando o nosso fim.
Ai, breves são a luz e o viver
E é tão grande o Mar depois de mim!

Ribeira de Pena, 12 de dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A foto (assinada por Luísa Costa) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.olhares.aeiou.com.
Este é o último poema do meu livro A Palavra Vale, trabalho com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

PS: Thierry Proença dos Santos, Professor e investigador da Universidade da Madeira, fez parte do Júri deste Prémio Literário, na companhia de José Eduardo Franco, escritor e Professor no Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa da Universidade de Lisboa; de Jorge Moreira, presidente da Assembleia Municipal de Machico; de Lucinda Moreira, docente de Português da Escola Básica e Secundária de Machico; de Nelson Veríssimo, escritor e Professor da Universidade da Madeira; de José Tolentino Mendonça, poeta e Professor da Universidade Católica de Lisboa; e de Leonor Martins Coelho, Professora e investigadora da Universidade da Madeira. Ora, Thierry Proença dos Santos redigiu para o volume publicado pela Junta de Freguesia de Machico um belo texto intitulado “Breves notas de leitura em jeito de Prefácio”. Respigo dois trechos que particularmente me souberam a um delicioso bónus, por ser tão gratificante, aos olhos de quem escreve, perceber nos outros olhares assim atentos e competentes sobre a escrita feita.
Referindo-se ao meu trabalho, A Palavra Vale, ao de Amadeu Baptista, Sequência de Machico, e ao de Luís de Aguiar, Machico. Quebranta Terra Onde Choram os Pássaros, diz (pp. 10-11):
“Cada uma das obras traduz, à sua maneira, modos de conhecimentos sobre Machico que a escrita transforma em fábula do lugar, ou melhor, em lugar fabuloso. Os sujeitos poéticos cruzaram os sítios e os tempos deste povoado, as crenças e os gestos do seu quotidiano, os dados históricos e a sua tradição ancestral. Fizeram emergir ecos de outras culturas (clássica, oriental, literária), perspectivando deste modo a cultura local e conectando-a ao resto do mundo. Captaram realidades físicas do espaço evocado, reconfigurando-as por meio da subjectividade e estabelecendo, por conseguinte, um vínculo transtemporal e transgeográfico. Nestas transacções de índole espiritual, a temática da escrita do tempo, da vida e do cosmos emerge entrelaçada nas suas dimensões eufórica e disfórica, unificadas tanto pelo reiterar de tópicos (a lenda de Machim e de Ana d’Arfet, vultos históricos, o diálogo com o destino, Machico e a sua toponímia, o sentimento insular da distância, provas de vida que as circunstâncias locais originaram…) como pelo questionamento da essência humana na sua relação com o espaço que o circunscreve.”

Referindo-se especificamente ao meu trabalho, escreve (pp. 11-12):
“A composição A Palavra Vale, de Joaquim Jorge Carvalho […], cativa pelo modo como liga ironicamente a convenção literária com o íntimo processo criativo. Os vinte poemas aqui conjugados alternam formas e modelos, de tradição erudita ou popular, e surgem-nos ligados à declamação ou à recitação, com uma qualidade rítmica e musical apreciável, sem deixar de exibir intencionalmente as costuras da técnica expressiva do fazer poético. Num tom por vezes paródico, a exuberância da voz do texto revela-se na abordagem lúdica do tema, ao desconstruir formas fixas e figuras de estilo (ousando até trocadilhos), convidando o enunciatário a confrontar-se com este rodopio de versos multiformes e multisignificantes. Por vezes, o sujeito poético procura dar o ponto de vista do lugar, o da baía de Machico, ou recriar possíveis falas da terra e das suas gentes (preste-se atenção ao jogo das interpelações: o sujeito dirige-se ora a um vós extemporâneo, ora a Tristão Vaz, ora à pessoa amada, ao público em geral…). Assim, A Palavra Vale apresenta-se não somente como reflexão sobre a linguagem e projecção de um espaço arquetípico, mas também como sonho e jogo de vida interior, combinado com um fino sentido de auto-derisão.”


O meu obrigado a Machico, pois claro!
JJC

Caminho solar


Os meus passos a caminho da praia
Assustam as lagartixas
Esfomeadas de sol.
Olho para trás para as ver rir
Do meu próprio susto verde
E rio-me também.

Ribeira de Pena, 12 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.po-d-arroz.blogspot.com.
Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

Fruta do Dia


Em memória da Dona Carolina Freitas Spínola, avó da MP.


A velha sentiu a luz solar
Descendo sobre a anoneira
E comeu a anona como se fosse o sol.
Em seu coração sentiu
Naquela manhã
Que era para sempre dia.

Ribeira de Pena, 12 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.amador.blogs.sapo.pt.
Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pescador


- Pescador, de que foges
Correndo para o mar?
- Das redes do tempo
Que me podem matar.

- Pescador, ninguém foge
Do tempo a correr.
- Eu sei tudo de redes:
Fujo até poder.

- Pescador, todos morrem
(É humana sina!)
- Só me há-de apanhar
A rede divina.

- Pescador, como saber
Se é Deus ou o Mal
Quando te aparecer
A rede final?

- Eu fujo por amor
Da vida a chamar-me.
Só Deus Pescador
Poderá pescar-me.

Ribeira de Pena, 11 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.abiyoyo.com. Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

Poema do Santo


A casa do mestre tem cinquenta anos.
O mestre tem talvez oitenta.
A casa do mestre cresceu com o tempo
E começou a ser o mundo.
O mestre veio a tornar-se o mar.

Quando é necessário, o mestre
É também
Porto
Santo de todas as urgências.

Ribeira de Pena, 11 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Foto JJC, de 2007. Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

sábado, 10 de dezembro de 2011

Rua da Árvore


Tem graça:
A rua da árvore, no outono,
É a rua da árvore nua.


(Rua de quem? A rua
Tem dono?
Talvez: é a rua
da ávore.)


Mas a nudez
Não é bem já sua –
É do tempo que passa
Entre aqui e além.
O tempo,
Ao contrário da rua,
Não é de ninguém.

Ribeira de Pena, 10 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem não representa literalmente a rua referida no texto e foi colhida, de modo apressado e aleatório, na net (lamento o desconhecimento da fonte em concreto). Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

Toponímica d'Além


Banda d’Além
Banda do Além
Banda de Estar Além
Banda de Vir d’Além –

Este lugar tem um poema de Pessoa no nome.

Ribeira de Pena, 10 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, aleatoriamente, na net (infelizmente, sem referência concreta à fonte). Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]

Vai p'rà tua terra, pá!


O meu mui estimado primo José Joaquim Carvalho, coimbrinha que vive há várias décadas no Algarve, envia-me regularmente algumas pérolas, quer via hotmail, quer (de modo mais universal) via facebook.
Não resisto a partilhar convosco uma tira inteligentíssima (do território tantas vezes genial dos cartoons), que encerra uma lição radical e imbatível sobre a xenofobia e a estupidez em geral.
Tomai e saboreai todos.

Ribeira de Pena, já 10 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Não sou capaz de indicar sobre a fonte dos desenhos senão o que supra refiro. Sorry...]

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cais e mais


Já ali se benzeram e morreram
Pescadores.
Já ali se disseram e fizeram
Amores.
Já ali se viram e compraram
Gaiados.
Já ali se uniram e deixaram
Namorados.

O que nunca ali houve foi um pássaro
Que comesse o mar e depois
Voasse
Para me levar!

Ribeira de Pena, 09 de Dezembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.mw1.google.com.
Este poema faz parte do meu livro de poemas "A Palavra Vale" com que venci o Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega (Machico - Madeira). A Junta de Freguesia de Machico editou um volume intitulado V Concurso Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega (Outubro, 2011) que, além do meu trabalho, inclui os trabalhos classificados no 2.º e 3.º lugares.]