Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Liga vs. Federação (nova versão)


O desconforto, finalmente tornado público, de José Durão Barroso face ao desprezo com que Alemanha e França tratam a Comissão Europeia, em matéria de grandes decisões, fez-me recordar um programa de televisão em que Valentim Loureiro contracenou maravilhosamente com Gilberto Madail. Recordo-vo-lo.
Gilberto Madail era presidente da Federação Portuguesa de Futebol; Valentim Loureiro era o presidente da Liga Portuguesa de Futebol. Hierarquicamente, Madail era superior de Loureiro. Na prática, Loureiro mandava em tudo quanto de importante se passava no futebol português.
[Parêntesis: hoje, por força de determinações da UEFA e da FIFA, a ordem "normal" das coisas está em vias de ser reposta...]
Em certo programa de televisão, Gilberto Madail queixava-se da falta de consideração do governo da altura que, dizia o presidente da Federação, não lhe ligava nenhuma. Com ar bonacheirão, Valentim Loureiro aconselhou então calma ao expoente federativo e assegurou-lhe que, poucos dias antes, havia tido importantes conversas com eméritos governantes, decisivas para solucionar os momentosos problemas do futebol em Portugal. Madail, humilhado, queixou-se amargamente de nada lhe haver sido comunicado (quer pelo governo, quer pelo major Valentim Loureiro). Generosamente, o presidente da Liga prometeu-lhe que, logo que tivesse tempo, lhe faria chegar a informação mais elevante sobre os assuntos tratados.
Ora, na actualidade europeia, percebe-se muito bem que Durão(?) Barroso faz de Gilberto Madail e a dupla Sarkozy/Merkel faz de Valentim Loureiro.
Paciência, senhor José.

Ribeira de Pena, 05 de Outubro (viva a República!) de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.caboraso.blogspot.com.]

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Biblioteca do Arco (desde Abril de 2006)


Quando, no dia 26 de Abril de 2007, a Biblioteca Municipal de Cabeceiras de Basto, denominada Biblioteca Dr. António Teixeira de Carvalho, foi inaugurada na vila do Arco, apresentei um momento de poesia e representação. O momento contou com a colaboração das minhas queridas ex-alunas Catarina e Patrícia.
Ao arrumar papéis, salvei do lixo dois textinhos escritos em verso. Falam de livros e amor (e de amor aos livros). Da minha vida, enfim.

1.

A Biblioteca do Arco
Fica ao cimo da paisagem
Há nela a forma de um barco
E nós somos a viagem.

Cada livro é marinheiro
Do mar que há na leitura
(Marinheiro verdadeiro
de pescar e de aventura).

Vai-se dos livros ao mundo
Como do cais à viagem
Não há mapa mais profundo
Que o mapa da linguagem.

Livro, veleiro breve
Batel, barca, nau de ser
Caravela que me leve
À Ilha de Conhecer.

Sou mapa, mar e sou nau,
Caminheiro voador -
Vou de livro até Macau!
Vou de livro ao meu amor!

É tão pertinho Macau.
É tão perto o meu amor.



2.

Era uma vez uma menina

Era uma vez um rapaz

Era uma vez uma coisa

Era uma vez tantas vezes

Era uma vez um lugar morto
onde não valia a pena contar histórias

Era uma vez eu

Era uma vez uma aventura impossível

Era uma vez a minha Avó contadora

Era uma vez a minha Mãe oferecendo(-se)-me
leite, mãos e histórias de crescermos

Era uma vez um livro

Era uma vez tantos livros

Era uma um tesouro

Era uma vez os nossos olhos sedentos

Era uma vez a sede do nosso raciocínio

Era uma vez a urgência de água para o coração

Era uma vez um rio de fantasia
morto se não corresse em nós

Era uma vez a luz

Era uma vez a escuridão

Era uma vez a luz vencendo a escuridão

Era uma vez a Palavra

Era uma vez o sentido luminoso das palavras

Era uma vez o açúcar e o limão das frases

Era uma vez um espelho por dentro dos nossos olhos

Era uma vez o aconchego de uma Mãe universal,
Literatura

Era uma vez uma história interminável
(com final feliz por não haver final)

Era uma vez uma história com frutos em vez de fim

Era uma vez uma Biblioteca

Era uma vez um tesouro de, por, em nós

Era uma vez um colo de vozes

Era uma vez o passado e o futuro
(era uma vez o presente)

Era uma vez uma menina

Era uma vez um rapaz

Era uma vez uma casa grande como uma Avó

Era uma um lugar próximo como mãos de Mãe

Era uma vez um caminho com praia ao fundo
(e Mar para lá do que se visse)

Era uma vez o Verão

Era uma vez Verão todos os dias

Era uma vez um livro

Era uma vez muitos livros

Era uma vez todos os livros
(era uma vez a escrita e a leitura)

Era uma vez Hoje.

Ribeira de Pena, 03 de Outubro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

domingo, 2 de outubro de 2011

Portugal ordinário


Leio no CM (ed. de 02-10-2011): um aluno da Escola Secundária Alves Martins (Viseu), de nome Paulo Gonçalves, ganhou no Brasil uma medalha de bronze nas Olimpíadas de Química. Isto é, foi o terceiro melhor dos melhores do mundo naquela área do saber.O problema foi que, para representar o seu país, teve de descurar um pouco os estudos relativos aos exames finais do 12.º ano (2.ª fase) nas disciplinas de Biologia e de Físico-Química, situação que veio a redundar na impossibilidade de entrar em Medicina, como desejava. Obtendo "apenas" a média final de 17,7 valores, ficou a uma décima e meia de cumprir um honesto sonho de muitos anos. Aqui, reparai, foi tudo "legal", mas não me parece nada "justo".
Tratando-se de uma situação excepcional, dói-nos saber que o caso foi tratado de modo ordinário. ("Ordinário" fica muito bem neste enunciado.)

2. Um árbitro de futebol bastante medíocre (digo "medíocre" para não ser indelicado) chamado Bruno Paixão, que chegou misteriosamente a internacional, prejudicou hoje o Sporting Clube de Portugal de maneira obscena. Sem culpa do Vitória de Guimarães, que aqui apenas foi beneficiado por contingências de calendário (pois "outros valores mais altos se alevantam", decerto, nestes episódios tragicómicos), o cavalheiro do apito revelou dualidade de critérios, falhas grosseiras de julgamento, incapacidade técnica e física para acompanhar os lances. Num registo simpático e generoso, dele se poderá dizer que esteve ao seu nível habitual - um desastre.
O lado positivo de tudo isto está na dimensão formativa que o episódio compreende, se apreciado na ó[p]tica de Domingos Paciência: o treinador percebeu hoje por que se diz que um título ganho pelos leões corresponde, em Portugal, a quatro ou cinco dos outros. Quais outros? Perguntai ao senhor Bruno Paixão...

3. O que se aduz nos pontos 1. e 2. é uma sugestão de retrato - à vol d'oiseau - de um certo país que (ainda) somos: conservador no pior sentido, descuidado, avesso ao mérito, impreparado, ingrato, injusto. Às vezes, irrespirável. Sejamos, contudo, o[p]timistas: o Paulo Gonçalves lá entrou para Ciências Farmacêuticas (na Covilhã) e não desistiu de, mais tarde, voltar a tentar uma candidatura a Medicina. E o Sporting, apesar de tudo, não está senão a três pontos do primeiro lugar...

Ribeira de Pena, 02 de Outubro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.abola.pt.]

Lote 13, 3.º U


Moro num terceiro andar urbano
Alugado e moderno quanto baste
Com janelas para a estrada
E para as estrelas.

Às vezes, no silêncio da noite,
Enquanto planifico os dias ou preparo
Competentes documentos
Ouço derrapagens e choques.

Então, vou à janela
E vejo os actores dos acidentes
Mais os cenários e os espectadores.

A maior parte das vezes não há
Acidente. Quase sempre há estrelas
Juntas e colorindo o teu nome.

Ribeira de Pena, 02 de Outubtro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Este poema faz parte do meu livro Desapontamentos dos Dias, Coimbra, Ed. A Mar rte, 1995. A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.rr.sapo.pt.]

sábado, 1 de outubro de 2011

Falta


Faz-me falta o mar
E uma gaivota sobre o livro
E a solidão voluntária
De ver o mar e a gaivota
E a solidão voluntária

Fazes-me falta. O mar
Absoluto e longínquo
É aqui dentro
E todas as partes são tristes

Fazes o mar. Não existes
Senão pelas gaivotas azuis
Da escrita. Não existes
Para além de fazeres falta

O mar invade as portas
E a solidão voluntária e castanha
Não há barcos e não há gaivotas
Está um livro fechado
Dentro de mim.

Ribeira de Pena, 01 de Outubro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[O poema faz parte do meu livro Desapontamentos dos Dias, Coimbra, Ed. A Mar Arte, 1995.]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Quadra para o meu colega Sebastião da Gama


Tão cedo deveio perdida
A vida que sonhei ter.
Tão cedo deveio havida
Em mim a vida a haver.

Ribeira de Pena, 30 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.astormentas.com.]

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ainda outras notas setembrinas


1. Sofro de uma hipocondria digna de Woody Allen. Quando, na televisão, algum locutor ameaça com documentários ou entrevistas sobre doenças fatais, apresso-me a zappar e, como uma avestruz assustada, enfio a cabeça no território aconchegante do Não Quero Saber. A mortalidade incomoda-me como um furúnculo. A cada passo, sinto sangrar as virilhas da alma. Ainda por cima, a minha Mãe anda frágil como uma flor de vaso.

1.1. Entre outros desconfortos, há essa certeza de que a minha literatura cairá no rio Letes de contemporâneos e vindouros. De modo que, convenhamos, ando para aqui a escrever para nada... (Por outro lado, reparo, alguns dos mais belos cantos d'aves não duraram senão primaveras breves. Coincidiram, em determinado instante, as criaturas canoras e a minha atenção - e foi quanto bastou para haver beleza. Escrevo para agora.)

2. No meu tempo de jogador iniciado-juvenil-júnior do União de Coimnbra, acontecia muito recebermos colegas vindos da Académica. Causava-nos espanto o facto de tão excelentes jogadores serem dispensados pelos doutos treinadores e directores do clube rival. Murmurava-se que, à época, contavam mais as cunhas do que o talento futebolístico: portanto, ficavam no clube dos doutores, a ser verdadeira essa "lógica", os filhos dos dire(c)tores, os sobrinhos e conhecidos de fidalgos coimbrinhas, etc. A verdade é que, no meu tempo, o União ganhava muitas vezes à Académica nas camadas jovens.

2.1. Alguma coisa terá mudado, entretanto. O meu sobrinho António começou, há duas semanas, a jogar na equipa de iniciados da Associação Académica de Coimbra. Ficou "lá" porque tem valor; ora, isso é bom para o seu currículo e para o currículo do seu novo clube.

3. O meu pai era, como eu, do União (do "Ónião"). Alguns clientes da oficina metiam-se com ele e lançavam-lhe provocações:
- Ó senhor José, os adeptos do União são uns bebedolas...
O meu pai não se desfazia:
- Em geral, gostamos todos de copos, senhor doutor. Mas no União tanto faz cerveja como vinho ou outras bebidas caras. Os da Académica é que exigem uísque para a bebedeira. Mas vem tudo dar ao mesmo...

4. Ando a reler, desde ontem, Persuasão, de Jane Austen. Confirmo esta ideia: há romances que valem pela sua qualidade literária; e outros que, embora mais fracotes de um ponto de vista linguístico e poético, valem pela sua competência estético-comunicacional. Como explicou Barthes em O Prazer do Texto, há diferentes modos de amor e de volúpia. Na vida como na literatura.

Ribeira de Pena, 28 de setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (rosto de Jane Austen) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.armonte.wordpress.com.]

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Plot de Deus


"Life happens while we're making other plans."
(John Lennon, citação recolhida há uns trinta e quatro anos, nas Selecções Redader's Digest, num consultório de dentista.)
Um dos maiores problemas da vida é ela tratar-se de uma narrativa que prescinde, quase sempre, do nosso contributo demiúrgico. Sucede simplesmente, à revelia da nossa vontade, dos nossos planos. Algumas, poucas vezes, as circunstâncias são coincidentes com o nosso desejo íntimo (até com pulsões insuspeitas que eram, sem que o soubéssemos, caminhos de felicidade). Mas isto é raro.
Personagem secundária do mundo, pois. Em tantas ocasiões, personagem secundária de mim próprio.
A narrativa é, digamos assim, Deus. E os Seus argumentos são insondáveis.

Ribeira de Pena, 27 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.modosuavedeescrever.blogspot.com]

Outras notas setembrinas


Dia atribulado, a segunda-feira. Pelas sete da manhã, o telemóvel avisa-me da indisposição da frágil mãe, há sinos a rebate no meu coração, saio panicamente para a fria manhã. Medo, pois.
A mãe melhora. O T, a F e eu, crias serôdias, ainda tememos, mas suspendemos a mortalidade por enquanto.
Regresso a minha casa a tempo de levar a VL, outro lado do Tempo, ao seu emprego. Aproveito ainda alguns minutos para banho e barba, recolho fa(c)turas para pagar e, just in case, levo os testes de Língua Portuguesa e Francês que me falta corrigir.
Na estrada, há o espe(c)táculo da vida urbana sucedendo com o habitual vigor. Gosto desta dinâmica de caos, mas rapidamente me canso e a recuso. Repugna-me já a fauna (inextinguível) dos maus condutores, dos auto-porcos que deitam papéis pela janela dos carros, ou dos porco-pedonais que conspurcam com escarros e maços de tabaco as ruas dos outros, e também a fauna (ou flora?) de arrumadores de carros, cheios de uma inexplicável agressividade.
Na rádio, retenho notícias repetidas de ontem, de sempre. A senhora Merkel quer castigar (mais) os países da zona euro que têm dívida excessiva, retirando-lhes até parte (?) da sua soberania política. Questão: quem ganhou, vistas as coisas d'aqui, a segunda guerra mundial, quem foi?
A dívida da Madeira é, segundo ouço, semelhante à que o Estado português pagou pelos desmandos do BPN. Até na porcaria, portanto, há patamares de nível e decência: o estrume deixado pelos vigaristas da banca cheira, creio eu, ainda pior que o da ilha... [Num caso como noutro, contudo, não se vislumbram castigos ou remédio.]
A propósito ou despropósito de tudo Isto, leio uma afirmação de D. José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa: "Quem entra na política não sai de mãos limpas."
Amen, talvez.

Coimbra, 26 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.antral.pt.]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A distribuição da riqueza


O JN de ontem recordava, em tabela muito ilustrativa, segundo dados do Eurostat, a situação da Madeira face à Europa e ao todo nacional em termos de nível de vida. Transcrevo-a:

Portugal - 78% (comparativamente à média europeia)
Região Norte - 60%
Região Centro - 64%
Lisboa - 109 %
Alentejo - 72%
Algarve - 86%
Açores - 73%
Madeira - 103%

Vista a coisa em abstra(c)to, a nenhum português deve provocar inveja esta espécie de superior bem-estar de madeirenses (ou de lisboetas).
Contudo, vale a pensa pensar no facto de tanta miséria subsistir numa como noutra região. De modo que novamente se põe em questão o problema da desigual distribuição da riqueza. Da obscena concentração de bens e recursos na pança de meia dúzia em detrimento de tantos.
Os partidos também se poderiam distinguir uns dos outros no tratamento político destas matérias. E uma Igreja digna do seu (presumível) estatuto ético-moral deveria considerar insuportável que as coisas permaneçam asssim...

Ribeira de Pena, 22 de setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.midiaindependente.org.]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Em dia


Tonou-se um clichê esta ideia muito cara aos orientais e, por essa via, a Hermann Hesse: de vez em quando, é preciso parar para pensar.
A falta de um espaço para o oxigénio da serenidade, da contemplação e da reflexão tende a notar-se. Na lufa-lufa dos dias, a Besta não raras vezes desperta em nós e, à nossa roda, degrada-se ambiente, ar, vida.
Precisamos de um cantinho de paz, que ciclicamente nos devolva a santidade de que - também - somos feitos.
Uma tia (ou avó?) de Cristóvão de Aguiar, citada pelo autor no magnífico livro Relação de Bordo (1.º volume), fala dessa utilidade de, com pontualidade cristã, se rezar. (Por ser esse, esclareço, o seu pessoal modo de recolhimento.) A senhora, micaelense antiga, dizia aos seus que, cumprido o dever auto-imposto da oração, ficava sempre com "a alma em dia".
Voilà! Cabe-nos isso mesmo a todos: pôr a alma em dia, senhores.

Ribeira de Pena, 20 de setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (de S. Miguel) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.olhares.aeiou.pt.]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Biografia das aves ausentes


As andorinhas chegam na primavera, reconstroem o ninho que é há anos vizinho do quarto da VL, procriam, educam, cantam, trabalham, e saem de nós quando o verão anunciadamente falece. Durante os meses seguintes, o ninho é um mínimo monumento às ausências e à saudade do sol.
Creio que toda a literatura cabe nessa biografia de aves. Do quarto da minha filha, portanto, vê-se Deus, a poesia e a vida em geral.

Ribeira de Pena, 18 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.olhares.aeiou.pt.]

História da galinha dos ovos de ouro contada ao dr. Alberto João


A crise da dívida na Madeira radica na (talvez surpreendente) incultura literária do dr. Alberto João Jardim. De facto, as circunstâncias demonstram à saciedade que o governante nunca chegou a ler a história da galinha dos ovos de ouro. E, se a leu, não chegou a compreender bem a “moral”.

Ribeira de Pena, 18 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.diariodomearim.blogspot.com.]

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Notas setembrinas


1. Os juros que os gregos pagam, nesse inferno chamado - ironia divina - "dívida soberana", atingem os 50%, qualquer coisa como 45% mais do que pagam os alemães.
Ora, diz-se dos mercados que há neles uma (invisível) lei que sempre conduz à Razão. Haverá mesmo?

2. O alemão Gunther Oettinger, Comissário europeu para a Energia, defendeu que os países incumpridores como Grécia, Irlanda e Portugal, deveriam ter, no quintalinho da UE, as respectivas bandeiras a meia haste. "Para se motivarem", explicou.
Como eufemismo para o fim da Europa, o enunciado parece-me, ainda assim, fracote porque falta ali subtileza e graça.

3. História para os vindouros: "Era uma vez, há muito tempo, a Europa moderna, mas depois chegou a realidade. Fim." Moral da história?
Não há, aqui, moral.

Ribeira de Pena, 12 de setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.essaseoutras.com.br.]

sábado, 10 de setembro de 2011

A(c)ta triste sobre o (des)Acordo


E mais se lamenta que entre Portugal e o Brasil não haja, ultimamente, uma verdadeira reciprocidade de contributos, situação visível, por exemplo, no fa(c)to de, por um lado, os portugueses haverem recebido Liedson e de o haverem devolvido ainda melhor do que o receberam, cheio de talento e saúde (vide os dois golos que, há dias, marcou ao Flamengo), e de, por outro lado, os brasileiros haverem recebido a Língua Portuguesa e de, mais tarde, no-la terem devolvido sob a lamentável forma de Acordo Ortográfico. De acordo com os cidadãos reunidos no Auditório do meu coração, este comportamento não é o mais digno entre verdadeiros irmãos.
E nada mais havendo, por ora, a acrescentar, etc., etc.

PS: Esta rábula é isso mesmo - uma rábula. Sei bem que os principais responsáveis por esta triste evolução são alguns académicos e políticos portugueses, mais preocupados com as respe(c)tivas carreiras do que com a Língua propriamente dita.

Ribeira de Pena, 10 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho