Os ministérios da educação sabem muito pouco do divino mistério da educação.
Coimbra, 01 de Setembro de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.paraprofessoresealunos.blogspot.com.]
Eu amo o Verão, mas sou do Outono. A minha vida é feita sobretudo do tempo que ainda falta para o Verão. É uma vida geralmente pobre de mar. Contudo, teimosa como um rio, caminha sempre, desde sempre, para a certa foz a haver. O passado, o presente e o futuro são muito mar.
Aurora
a poesia não é voz - é uma inflexão.
dizer, diz tudo a prosa. no verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. no verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
e aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
“O destino destina, mas o resto é connosco.”Num tempo cheio deste negrume ominoso que a crise e respectiva retórica trouxeram aos nossos dias, vale a pena o aconchego torgaguiariano, não achais?
«A família era o bilhete de identidade de Manuel Vieira. O seu lugar. O seu calendário. O motivo para acordar todos os dias e acreditar no futuro.Senhor João, Mestre, Amigo: que grande honra foi tê-lo conhecido!
- E os outros, mestre Manuel? - perguntara, uma vez, o padre Fontinhas.
- Os outros são parte da família - respondera o velho, à gargalhada.
E acrescentara, tocado subitamente pela graça da poesia em seu discurso de homem simples:
- A minha família é como a minha Igreja. Não tem tecto.»
“Que se passa quando morremos? Não se passa nada. Não acontece nada. Cães andam pelo jardim, táxis fazem serviços, meninos brincam, homens e mulheres trabalham, raparigas conversam à entrada de um Café, etc. Não acontece nada de diferente. Tudo continua igual.”A ideia encerra uma óbvia lição. Por exemplo, não nos tomarmos demasiado a sério enquanto vivos; termos consciência da nossa finitude e efemeridade; prevenirmo-nos contra a vaidade e a glória (sempre) fugaz.
“Esperar o Amor! Só o espera quem já o tem dentro de si! Julgamos abraçar-lhe a sombra e já ele, o Amor, invisível aos nossos olhos, nos abraça e nos oprime. Quando julgamos que morreu em nós, é porque já tínhamos morrido dentro dele. E logo desperta quando a dor o chama. Porque não se ama deveras senão depois de o coração do amante se ter misturado no almofariz da angústia com o coração do ser amado. É o amor paixão partilhada, é compaixão, é dor comum. Vivemos dele sem nos darmos conta disso, tal como nos não damos conta de que vivemos do ar senão no momento da asfixia angustiosa. Esperar o Amor! Só espera o amor, só o chama quem já o tem dentro de si, que vive, ainda que o não saiba, do seu sangue. É a água subterrânea que aviva a secura. Sentimos às vezes securas abrasadoras, como as do campo deserto, que estala de sede enquanto voam à solta, à superfície, as folhas levadas pelo vento suão; e todavia, nas profundezas desse mesmo campo, por debaixo das raízes da sua verdura morta, corre sobre a rocha que a sustém, o manancial das águas do céu. E é o rumor dessas águas profundas que se junta ao rumor das folhas secas. E há um momento em que a terra seca e sedenta se abre e brotam à sua superfície as águas adormecidas. Assim é o Amor.”Senhores: a literatura é uma praia onde se está sempre bem.