
Um homem sai da reunião com colegas "relatores" (responsáveis pela avaliação de outros colegas) com um aperto no estômago. Saem todos com o mesmo ar preocupado, resignado, triste.
Tem-se hoje a certeza absoluta de que a avaliação de desempenho (esta avaliação de desempenho) é um monstro. De que maldades, injustiças, incongruências, absurdas loucuras e porcaria em geral saem, fétidas, de muitas horas e quilómetros de burocracia. De que, curvados pela necessidade de pagarmos a mercearia do nosso quotidiano, somos involuntários cúmplices do Horror.
Parabéns a Sócrates, a Maria de Lurdes Rodrigues, a Valter Lemos, a Isabel Alçada,
etc. que assim conseguiram ferir de morte (e, creio eu, para sempre) uma profissão nobre e limpa! (Pergunto-me se o modelo de avaliação - este ou o anterior - não terá sido fabricado, em fim-de-semana divertido, por professores e alunos compinchas da Universidade Independente...)
Demito-me de mim, acho eu.
Professor? Sei lá.
Ainda aqui ando (pelas razões, supra-ditas, da mercearia pessoal). Essa é que é essa.
Mas não estou verdadeiramente cá, senhores. Sou um fantasma. Tenho nojo do que somos. Daquilo em que nos tornámos.
Ribeira de Pena, 11 de Julho de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (do filme
Appocalypse Now, de Coppola) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.cinemacomlucy.blogspot.com]