Bússola do Muito Mar

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Número de Ondas

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Viver, contar, viver


Gabriel García Márquez, um dos maiores vultos de sempre em matéria de narrativa, escreveu um livro intitulado Viver Para Contá-la. "Contá-la", precise-se, como quem diz "contar a vida".
A ideia do escritor colombiano foi revelar, enquanto era tempo (i.e., antes de morrer), alguns dos aspectos fundamentais da sua biografia pessoal e literária.
A maior "lição" que retive dessa obra foi esta coisinha singela de ser necessária uma absoluta e exclusiva dedicação à literatura para se ser realmente escritor. A mim, confesso, falta-me esse pundonor fundamentalista - e não sinto sequer remorsos.
Mas tenho em comum com Márquez essa ideia de dedicação constante, fiel, grata à causa da escrita (e da leitura). Igualmente concordo com a tese inscrita no título: a vida é o maior e melhor barro para esculpir qualquer obra literária.
Permito-me acrescentar uma nuance: a de que também se conta para (se) viver, pois a vida à nossa disposição é demasiado curta para o volume do amor e da imaginação que a condição humana exige para, verdadeiramente, ser.
De modo que, remato, se a biografia de Gabriel García Márquez tem o nome tutelar de Viver para contá-la, a sua narrativa ficcional poderia, por seu turno, abrigar-se sob o tecto (concomitante ao anterior) de Contar para vivê-la.

Ribeirta de Pena, 11 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://www.institutocamoes.pt.]

domingo, 10 de abril de 2011

E no entanto move-se


No conclave do Partido Socialista em Matosinhos, 2,8 por cento de congressistas votaram contra a moção de José Sócrates.
Eu há muito que penso que seria bom para Portugal e para o PS o afastamento daquele (respectivamente) primeiro-ministro e secretário-geral.
De modo que vejo, daqui deste Muito Mar, os 2,8 por cento como uma imensa multidão de lucidez.

Ribeira de Pena, 10 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem é a de Galileu Galilei, colhida - com a devida vénia - em http:www.arestasdevento.blogsapo.pt.]

Ironia nobiliárquico-capitalista


Vinha no JN de sexta-feira, dia oito de Abril: o casal Beckham (o futebolista e a ex-Spice) queriam matricular os filhos num colégio inglês muitíssimo elitista. Desconfio, aliás, que essa característica - o crivo elitista na admissão de alunos - terá sido determinante para a opção dos mediáticos pais.
Ora, a verdade é que, apesar de David & Victoria possuirem meios para as colossais mensalidades do colégio, houve um movimento de outros pais que, sabendo da vontade dos Beckham, se insurgiram contra tal. Apresentaram um argumento arrasador. Repito-o aqui, nesta croniqueta: apesar de ricos e famosos, o papá e a mamã Beckham não estão, aparentemente, ao nível exigido pelo colégio. Porquê? Sentai-vos e sabei: porque continuam a pertencer, de qualquer modo, à "working class"!
Deus Nosso Senhor tem um sentido de humor do tamanho da sua infinitude. E serve-se dos mais sofisticados truques dramáticos para nos fazer rir e, atenção, pensar.

Ribeira de Pena, 09 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://bonciz.com.]

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ideia que nos defende


Posto que a terra em sua translação
Determina o inverno a seguir ao estio
E que o pior da velhice é a solidão
(Esse quase-fim cínico, bravio;
Esse gelo bruto, essa perdição)

O amor é uma ideia que nos defende do frio.

Ribeira de Pena, 08-04-2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem (do filme Cocoon) foi colhida, com a devida vénia, em http://vovodelicia.wordpress.com.]

Roedores


Era uma vez um homem reformado e viúvo que, por gostar tanto de ler, se esqueceu de cuidar da higiene própria e da casa.
Ao fim de alguns meses de obsessiva dedicação à leitura, a casa era um antro de odores e de lixo espalhado por corredores, quartos, cozinha, sala, biblioteca.
O que mais lhe custava era a quantidade de rataria com que sempre se cruzava, de dia ou de noite, e sobretudo o ruído que os roedores faziam devorando restos de comida ou livros.
Aos ratos que pastavam no lado da biblioteca, chamava “inteligentes”; dos outros dizia que eram “a turba”. Esta discriminação estendia-se, até, à hora da morte dos hóspedes: quando encontrava um qualquer sobre o lava-louças, na cozinha sebenta, o homem murmurava com notório desprezo: “Viveste estupidamente e morreste estupidamente, meu nabo!”
Quando encontrava um rato jazendo numa prateleira da estante, saudava-o com uma espécie de cúmplice entusiasmo: “Ah, meu maganão! Consolaste-te antes de morrer, hein?…”
E, folheando um livro velho muito degradado, ali a um palmo do roedor falecido, acrescentava: “ Comeste-me os doze trabalhos do Hércules e o episódio do Ciclope!”

Ribeira de Pena, 07 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem foi colhida, com a devida vénia, em http://cristina-projecto1.wikispaces.com.]

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Música & Cores


Se à contemplação
Do Poeta criador
Sempre sucedesse uma canção
Ou uma flor -
Que complexas melodias
Que campos cheios de cores
Seriam os seus dias
Seus amores.

Vila Real, 06 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A foto (da actriz Kim Basinger) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.mielofon.com]

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Beleza


A beleza o que é, como se faz?
Que misterioso, em nós, interruptor?
Que coisa nos acende, no-la traz?
O que é o amor?

Ribeira de Pena, 06-04-2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A foto (Gwyneth Paltrow, a minha actriz favorita) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.imagensdeposito.com.]

terça-feira, 5 de abril de 2011

O perigo da ignorância


"Imprescritibilidade, inalienabilidade, irrenunciabilidade, inviolabilidade, universalidade, efectividade, indivisibilidade" - eis as fundamentais características dos Direitos Humanos.
Grande parte dos ditadores do mundo é inculta e dificilmente percebe o sentido destas palavras (alguma difíceis até de pronunciar e escrever).
Isto é, a ignorância é mesmo um perigo para a humanidade.

Ribeira de Pena, 05 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[A imagem supra é a do quadro de Picasso, Guernica.]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Besame mucho


Toda a gente conhece aquela hipérbole, entretanto devinda clichê, cunhada por certa canção espanhola: Besame mucho / como se fuera esta noche la ultima vez...
Quando, uma vez ainda, me lembro da minha última conversa com o meu pai, o sangue daquela canção pulsa renovadamente.
Talvez esta minha mágoa encerre alguma lição universal. Talvez fosse preciso que, em tantas ocasiões, nos ouvíssemos como se essa fosse a última vez. Talvez fosse preciso que, em tantas ocasiões, nos olhássemos como se essa fosse a última vez.
Nunca mais o meu pai me atenderá o telefone. Nunca mais lhe reprovarei, ali na sua exacta e física presença, o ventre exagerado ou o sorriso de miúdo com que justificava os seus excessos. Mas não falei consigo, na última vez em que consigo falei, como se aquela, que foi a última vez em que falámos, fosse a última vez em que falámos.
Eu há muito tempo que olho para o presente como uma antecâmara de perdas. O que temos, o que somos - tudo, senhores, é uma espécie de pétala delicada condenada ao fim. Por isso me habituei, entretanto, com mal disfarçado susto e mal disfarçado desespero, a ver-ouvir os meus contemporâneos (por enquanto) vivos como se fosse, sempre, a nossa última vez.
E, já agora, o que aparece neste Muito Mar deve ser lido, para benefício da própria leitura, como se cada texto fosse o último escrito ou lido.

Ribeira de Pena, 04 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[Na foto supra, aparece Consuelo Velásquez, autora (em 1940) da canção "Besame mucho".]

Mão velhinha


À volta do Centro de Saúde de Ribeira de Pena, há uma árvore que desistiu da primavera. Adiam-se-lhe as folhas. Os pássaros ignoram-na. Os troncos, vistos de baixo, assemelham-se a uma mão desesperada, gritando a Deus por um milagre qualquer.
Ao passar por ela, sinto uma profunda pena de mim.

Ribeira de Pena, 03 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

domingo, 3 de abril de 2011

Atenção, Televisão & Literatura




1.Os benefícios da atenção
Todos os dias aprendemos, claro. A vida surpreende-nos e acrescenta-nos de conhecimento sobre a vida. Não entendo esse fenómeno como mero acaso. Parte-se sempre, como diriam (entre tantos) Tolentino Mendonça ou Caeiro, da atenção; mas depois é preciso que haja pasto em nós para essa avulsa semente dar flores ou frutos, e de estas deveniências gratamente se integrarem na paisagem universal do que doravante sabemos. Ontem, por exemplo, beneficiei de uma história contada pelo actor Ruy de Carvalho a Daniel Oliveira (no programa Alta Definição, da SIC); de uma reportagem com o escritor Howard Jakobson, vencedor do Booker Prize de 2010 (na RTP); e da leitura de umas trinta páginas (não mais porque a seguir dava o Real Madrid - Sporting Gijon na Sportv) do romance O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Deixai que vos fale um pouco do que aprendi.


2. O Palhaço da Zona do Petit Palais
Conta Ruy de Carvalho que um psiquiatra francês, famoso em meados do século XX, estava preocupado com a falta de resultados dos tratamentos num determinado paciente. O doente era muito complexo e sofria de profundos problemas, apresentando –a cada nova consulta -um quadro de depressão extrema e inalterada. Em desespero, o psiquiatra lembrou-se de um palhaço que, desde há meses, aparecia na zona parisiense do Petit Palais e conseguia, com suas histriónicas diatribes, pôr toda a gente a rir. Recomendou-o, pois, ao seu paciente mais difícil. Este, à proposta, reagiu com um misto de bonomia e de tristeza:
- Senhor doutor, esse palhaço sou eu…

Não tem tanta arte esta biografia?

3. A natureza essencial do romance
O escritor britânico Howard Jakobson, explicando o seu ofício de romancista, diz ao repórter que tinha um objectivo fundamental: entreter os leitores. Aparentemente, portanto, a ideia de arte literária deste laureado não se distinguirá da concepção merceeira que alguma mediocridade lusa também professa e cultiva (falo de Rebelo Pinto, de Rodrigues dos Santos, de Sousa Tavares, etc.)… Mas o inglês acrescenta, graças a Deus: trata-se de um entertainment diferente do comum, um "highest entertainment”, que ponha as pessoas a pensar profundamente, a chorar ou a rir com sentido. Traduzo livremente: um entretenimento sublime. E já estamos, aleluia, de acordo, cúmplices de Camilo, Eça, Dinis, Saramago. (E, claro, a corja que não presta não cabe nisto.)

4. Tese & Antítese
Em O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse (tradução de Carlos Leite, Lisboa, Ed. Publicações Dom Quixote, 1999), ao topo da página 16, um simples período glosando uma máxima (talvez inventada pelo autor) ajuda a explicar todos os perigos que a intolerância e o fundamentalismo comportam:
“Há um velho aforismo que diz: quanto mais agudamente e intransigentemente formulamos uma tese, mais irresistivelmente ela clama pela sua antítese.”

Na política, na família, na profissão, no amor, continua a revelar-se interessante e útil a leitura dos clássicos.

Ribeira de Pena, 03-04-2011.
Joaquim Jorge Carvalho
[As fotos de Ruy Belo, Howard Jakobson e Hermann Hesse foram colhidas, respectivamente (com a devida vénia), em http://www.poroutraspalavras.wordpress.com, http://www.4.bp.blogspot.com e wikipédia.]

Quadra com lábios


Lábios sábios estão fadados
Para incendiar desejos
E deixam nos beijos dados
Vontade de novos beijos.

Vila Real, 02 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ainda o Sol


Primeiro de Abril soalheiro e quente. Pela avenida há já femininis evidências do calor e da luz: braços destapados, ombros emancipando-se de pudores involuntários, um fecundo decote, coxas libertando-se da longa hibernação.
Ele chegou. Ele chegou!
Infiltra-se pelos arredores da íris, ao primeiro olhar. Espalha-se pelo território cutâneo que vai do pensamento aos passos. Entra-nos no sangue pelo oxigénio bebido do dia. Fica connosco. Imortaliza-nos provisoriamente. Faz parte de nós.
Temos sol. Temos sol!

Arco de Baúlhe, 01 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho


[A imagem (lapso da rua do Carmo, metonímia para a coimbrinha Visconde da Luz e outras formas de paraíso) foi colhida, com a devida vénia, em http://www.ruasdelisboacomhistoria.blogspot.com.]

Ares do Tempo


O ar do tempo lê-se em simples pormenores do quotidiano. As modas, o jargão, a mentalidade consensual, o vestuário, a literatura de sucesso, a arquitectura, as canções.
Que tempo é o nosso?
Confesso, senhores, que a minha percepção do presente, apesar de fugazes glórias com sol e lábios, é pouco positiva. Por exemplo...

Terá lugar em Barcelos, no próximo dia 9 de Maio, a final do Concurso Nacional de Leitura - fase distrital. Lendo o regulamento da prova, dois pormenores me saltaram à vista (e ao coração). Digo-vo-los:
a) em caso de empate, os alunos serão convidados a responder, oralmente, a várias perguntas; ganha quem for mais rápido a responder...
b) o Júri será constituído pelo Dr. Victor Pinho (bibliotecário), Manuela Ascensão Correia (professora) e Capucho (ex-futebolista, treinador de futebol).

Em a), leia-se a ditadura da pressa, da esperteza (mais do que da inteligência ou da sensibilidade).
Em b), leia-se o pior que há na nossa contemporaneidade e, in casu, no Plano Nacional de Leitura - o de se confundirem as aparências (mediáticas) com a essência (mediúnica) dos livros.

Uma tristeza, o nosso tempo.

Arco de Baúlhe, 01 de Abril de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Palavra Vale


José Tolentino Mendonça é um excelente poeta, que é também professor, que é também padre. A ordem não interessará muito, neste caso. Este homem cruzou-se com a minha existência quando, em 2000, eu andava a estudar Ruy Belo, no âmbito de um mestrado em Estudos Portugueses. Soube, então que Tolentino Mendonça era um dos maiores especialistas da poesia de Belo e um seu prefácio a, salvo erro, Aquele Grande Rio Eufrates iluminou-me como uma manhã.
Soube também que é, como a minha mulher, natural de Machico e, finalmente, tive ainda a honra, já em 2010, de vencer o Prémio Literário de Poesia Francisco Álvares de Nóbrega, patrocinado pela Junta de Freguesia machiquense. Ora, do Júri que escolheu o meu voluminho A Palavra Vale fez parte este madeirense grande.
Comprei, no dia 26 deste mês, o jornal I apenas porque, na primeira página, se prometia uma entrevista de José Tolentino Mendonça à jornalista Maria Ramos Silva. Ainda bem, senhores, que fiz tal compra!
Da longa conversa (páginas 44-47), respigo algumas passagens que decerto contribuirão para tornar mais profundas e límpidas as águas do meu (nosso) Muito Mar. Por facilidade de exposição, recorro à numeração cardinal.

1. Sobre a ideia de conhecer
«A palavra “conhecer” quer dizer “nascer com” e o acto de nascer é sempre espiritual. Porque nascemos com vários sentidos, sempre. Esta hora para nós pode ser uma hora de nascimento, a hora em que o leitor está a ler estas palavras. Penso que a espiritualidade se liga, de facto, a uma procura de conhecimento, que não é unívoco, ou simplesmente empírico. É uma espécie de abertura, de colocar-se perante o aberto do mundo.»


2. Sobre acção e contemplação
«[Eu] não tenho essa ideia de estar envolvido num activismo, ou muito preocupado com a produtividade. Talvez porque em cada dia reservo um espaço significativo para a contemplação, para a escuta, para o silêncio. Isso gera, de facto, uma fecundidade na acção, mas que não é activismo.»


3. Sobre a atenção
«A atenção é a atitude espiritual mais importante. E muitas das coisas que aprendemos em si mesmas não têm um valor por aí além, mas servem para treinar para a atenção. Lembro-me de um texto de Simone Weil sobre o estudo escolar. Há muita coisa na nossa formação que se revela sem grande utilidade, mas naquele momento ajudou-nos a construir uma atenção. E isso é o grande valor que cada um de nós transporta. Acredito muito naquilo que os padres do deserto diziam, que o grande pecado é a distracção.»


4. Sobre o ofício da escrita e a noção de testemunha
«Há que organizar […] as sensações, e anotá-las. Mas penso que caminho no mundo como uma testemunha e que essa é a função de cada um de nós. Caminhamos não apenas como espectadores, mas como testemunhas, do sofrimento e do esplendor do mundo.»


5. Sobre uma ideia renovada de sagrado
«Acho que os textos sagrados não se esgotam na Bíblia. A Bíblia é um território sagrado, mas há novos textos sagrados. O poema [cita “Mesmo quando eu me esqueço de Deus / Lembro-me de Deus”] do Rui Belo é um texto sagrado.»


6. Sobre Deus e palavra(s)
«Estes dias dei comigo a pensar […]: o que é ter fé? É ter fé em Deus, mas também ter fé na palavra. É acreditar que uma palavra nova, [ou] uma palavra comum, pode estar inesperadamente investida de uma força maior. Quem diz uma palavra, diz um gesto. Um cumprimento entre duas pessoas…»


7. Sobre o ofício caminhante (literal e metafórico)
«São Francisco de Assis dizia que caminhar a pé é já rezar. Se for assim, já tenho rezado muito. Há itinerários de que gosto muito. O jardim das Amoreiras, Campo de Ourique. Lisboa é tão bonita e diversificada. Sempre um espanto que nos é oferecido. Nunca regressamos pelo mesmo caminho por onde partimos.»


8. Sobre o seu hábito de citar outros autores
«É um sentido de comunidade. Se for uma muleta, não gosto, porque gosto de ser original. Cada um deve ter um pensamento com consciência própria, mas ao mesmo tempo é importante o testemunho do que se vive em companhia. A Adília Lopes diz: “Eu sou uma obra dos outros.” Também sinto isso, por isso não me custa nada lembrar o que os outros disseram, porque também eu sou uma obra deles.»


Um dia, julgo (espero) eu, vou apertar as mãos deste conterrâneo da MP. Mas, antes desse dia, José, fica já inscrito este abraço cúmplice e grato.

Ribeira de Pena, 31 de Março de 2011.
Joaquim Jorge Carvalho